Estudo sugere que cérebro de moscas é unissex

17 de abril de 2008 • 20h24 • atualizado às 21h05

Embora machos e fêmeas, às vezes, atuem como se viessem de planetas diferentes, um estudo sobre as moscas sugere que seu cérebro é, em grande parte, unissex. É isso que afirma uma pesquisa das universidades de Yale (Estados Unidos) e Oxford (Reino Unido), publicada hoje na revista científica americana Cell, sob o título "Amor à primeira luz".

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Os cientistas, liderados pelo professor Gero Miesenböck, de Oxford, ativaram com um raio laser o neurônio que nos machos é responsável pelo cortejo sexual e obtiveram a mesma resposta em ambos os sexos. Segundo o estudo, as fêmeas começaram a "cantar" vibrando uma de suas asas, da mesma forma que os machos fazem para atrair sua atenção quando querem conquistá-las, sugerindo que esse comportamento está "dormente" em seu cérebro.

No entanto, a sua "canção" estava um pouco desafinada e não era tão boa quanto a dos machos, acrescenta o artigo. As moscas tinham sido manipuladas geneticamente para que os neurônios estudados reagissem à luz.

"Esperava-se que os cérebros de ambos os sexos estivessem desenhados de modo diferente, mas não parece ser o caso e são mais parecidos do que se pensava", declarou Miesenböck por telefone.

Segundo o pesquisador, "é mais simples e elegante que algumas conexões funcionem na forma feminina ou masculina", já que seria complicado demais que os sistemas nervosos de machos e fêmeas fossem totalmente diferentes. O estudo publicado pela Cell indica que as fêmeas "têm o programa (do cortejo), mas falta a elas o comando que o ative".

"Uma pergunta óbvia é por que as fêmeas possuem este circuito cerebral, embora seja possível que coincida parcialmente com circuitos utilizados para outros comportamentos", acrescenta. Miesenböck disse que, embora os sistemas nervosos dos humanos e das moscas da fruta sejam "muito similares", esta descoberta não pode ser aplicada aos homens.

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