Atualizada às 10h05
Tara Parker-Pope
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O Lyric está em uso por apenas 500 pacientes, mas parece ter superado muitos dos problemas usualmente associados aos aparelhos auditivos tradicionais - e sem a despesa e a incerteza de uma anestesia ou cirurgia.
O Lyric, produzido pela InSound Medical, fica escondido dentro do canal auditivo, a apenas quatro milímetros do tímpano. Embora os médicos venham há anos implantando aparelhos auditivos no ouvido médio, o Lyric não é implante: pode ser removido com um pequeno imã. Ele é usado 24 horas por dia, e suas baterias duram de um a quatro meses.
Tipicamente, qualquer coisa que ocupe o canal auricular capturaria umidade e representaria risco de infecção, mas o Lyric é cercado por um material esponjoso que permite que a umidade escape. Porque fica tão perto do tímpano, os médicos dizem que funciona de maneira mais eficiente e que os sons são mais naturais, porque não precisam ser tão amplificados.
Quando a bateria do Lyric se esgota, o aparelho inteiro é substituído. Os pacientes não pagam o preço de um aparelho novo a cada substituição; em lugar disso, pagam assinatura anual de entre US$ 2,9 mil e US$ 3,6 mil para um par de aparelhos (menos se tiverem problemas em apenas um ouvido). Os planos de seguro-saúde em geral não cobrem os custos do Lyric, ou de qualquer outro aparelho auditivo.
Um imã é usado para controlar o volume, ligar e desligar o aparelho e removê-lo quando a bateria se esgota. Um médico precisa de apenas alguns minutos para inserir o substituto.
Mas o Lyric não funciona para todo mundo. Em especial, existem canais auditivos estreitos demais para acomodá-lo, e a empresa fabricante estima que ele não possa ser usado por talvez metade dos potenciais pacientes. Uma nova versão, que ainda está em planejamento, poderia ser usada por 85% dos potenciais pacientes, a empresa informa.
O Lyric já vem recebendo recepção entusiástica dos usuários e de especialistas em audição não conectados com a empresa. "Existem alguns pacientes que não agüentam ter alguma coisa dentro de seus ouvidos, assim como existem pacientes que não usam lentes de contato", disse Chester Griffiths, diretor do departamento de cirurgia no Centro Médico da Universidade da Califórnia em Santa Monica. "Mas eles são minoria. Quem pode usar o aparelho está adorando".
Griffiths diz que não tem vínculo financeiro com o Lyric, e não recebe comissões da empresa por recomendar o aparelho a seus pacientes. Um paciente que aprova o aparelho é Mike Waufle, técnico da defesa do New York Giants, um time de futebol americano. Depois de uma passagem pelo Corpo de Fuzileiros Navais na qual esteve exposto ao ruído constante de tiros de canhão, ele sofreu uma lesão auditiva que se agravou mais e mais à medida que ele envelhecia.
No campo de futebol, ele simplesmente aumenta o volume em seu fone de ouvido. Mas no vestiário era mais complicado. Algumas vozes eram impossíveis de ouvir (como a de seu ex-chefe, Jon Gruden, ex-técnico do Oakland Raiders). Os jogadores aprendiam a encará-lo na hora de falar com ele. Com um aparelho auditivo tradicional, ele encontrava dificuldades em controlar o volume de sua voz.
"Ensino muito em classe, como técnico, mas quando ouço minha voz com um aparelho convencional, o padrão de recepção não é muito bom", afirmou. "Era complicado. Eu acabava tirando o aparelho o tempo todo. Perdia muita coisa".
O médico do time, por acaso, era um dos envolvidos no teste do Lyric, que está disponível há 16 meses. Waufle decidiu experimentar, e diz que o novo sistema mudou sua vida. "Meu padrão de fala se tornou mais natural, e ouço muito melhor", ele disse. "Obviamente é muito mais fácil conversar com as pessoas se não preciso parar o tempo todo para perguntar o que elas disseram. E o aparelho também me ajuda a curtir mais a vida de modo geral ¿ poder ouvir coisas simples como pássaros e outros sons que costumamos ignorar".
Waufle diz que não tem vínculos financeiros com a empresa e que não recebe benefícios por falar de sua experiência com o aparelho. (A empresa diz que nenhuma das pessoas que prestaram depoimentos veiculados em seu site, o www.lyrichearing.com, recebeu qualquer forma de remuneração por isso.)
No momento, o Lyric só está disponível por intermédio de cerca de uma dúzia de clínicas na Califórnia, Flórida e Nova Jersey, mas deve chegar a 100 cidades antes do final do ano. Alguns pacientes que não vivem perto de uma clínica viajam aos locais quatro ou cinco vezes por ano. A InSound é uma empresa de capital fechado, embora a gigante farmacêutica Johnson & Johnson seja um de seus mais importantes investidores.
Robert Schindler, co-fundador da InSound e presidente emérito do departamento de otorrinolaringologia da Universidade da Califórnia em San Francisco diz que sofreu de deficiência auditiva pela maior parte da vida, e que usa um Lyric desde 2005. Diz que se recorda de ter ouvido uma orquestra e percebido o leve ping de um triângulo. "Percebi que era algo que jamais havia ouvido", disse. "Foi um momento muito emocionante para mim".
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
O aparelho ajudou o técnico do N. Y. Giants
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