Atualizada às 18h09
"Este tronco representa os milhares de árvores que são queimadas diariamente na Amazônia", explicou o especialista do Greenpeace para o Brasil, André Muggiati. "O governo brasileiro precisa conter o desparecimento de espécies botânicas e animais e evitar que o desmatamento acelere as mudanças climáticas. A proteção da floresta também pressupõe a defesa do clima", acrescentou o brasileiro.
Greenpeace e outras seis organizações ecologistas pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que acabe totalmente com o desmatamento da Amazônia até 2015. Cerca de 70% das emissões brasileiras de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa são procedentes das queimadas.
"Pedimos a Lula acordos concretos. Nos últimos quatro anos, ele cumpriu apenas um terço das medidas que anunciou para conter o desmatamento", afirmou Muggiati. Brasília investiu R$ 300 milhões (US$ 178 milhões) contra os cortes de madeira ilegais em 2007.
"O embaixador brasileiro nos recebeu com amabilidade, mas destacou que a prioridade do Brasil é a luta contra os subsídios europeus à agricultura, que prejudicam as exportações brasileiras, e não a ecologia", afirmou Andre Muggiati.
Depois de percorrer 6 mil km no Brasil, sendo exposto no Rio, em São Paulo e em Brasília, o tronco, que pesa 10 t, passará por diversas cidades da Alemanha até chegar, em maio, à cidade de Bonn, para a Convenção da Biodiversidade da ONU (CBD).
"No Brasil a destruição da selva amazônica não é um assunto que preocupa, parece que aqui na Europa as pessoas têm mais consciência", disse Muggiati. Durante a reunião de maio em Bonn, o Brasil cederá à Alemanha a presidência do CBD, a principal conferência sobre proteção ambiental.
Com seus sete milhões de km², a Amazônia é a maior floresta do planeta. De acordo com o Greenpeace, cinco hectares são devastados a cada minuto por queimadas e motosserras. Um hectare de floresta queimada libera 500 a 1,1 mil toneladas de CO2.
Os hectares desmatados - em grande parte ilegalmente - são utilizados posteriormente para atividades de agricultura e pecuária. No entanto, 20% das áreas desmatadas nas duas últimas décadas já não são mais rentáveis. "É mais barato arrasar novas zonas que recuperar as áreas desmatadas", denunciou Muggiati.
AFP
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