Fezes desbancam chegada do homem à América

03 de abril de 2008 • 16h12 • atualizado às 19h08
Restos fecais humanos foram encontrados em uma caverna no Estado americano do Oregon
Restos fecais humanos foram encontrados em uma caverna no Estado americano do Oregon
03 de abril de 2008
Reuters

Análises de DNA tiradas de fezes humanas fossilizadas indicam que os homens já habitavam a América do Norte há 14 mil anos, afirmaram hoje pesquisadores americanos.

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Os restos fecais, encontrados em uma caverna no Estado do Oregon, Estados Unidos, seriam de pelo menos mil anos antes do Povo de Clóvis, cultura pré-histórica que habitou o continente há 13 mil anos.

O estudo, divulgado na revista científica Science, acrescenta que o achado é uma importante evidência de que as pessoas habitavam as américas mais cedo que se acreditava, baseado nas ossadas da Cultura Clóvis descobertas no sudoeste dos EUA.

O arqueólogo Dennis Jenkins, da Universidade do Oregon, liderou a equipe que encontrou os coprólitos (fezes fossilizadas) em cavernas conhecidas como Grutas Paisley, a cerca de 350 km da localidade de Eugene, no lado oriental da Cordilheira das Cascatas.

Os cientistas estabeleceram que os primeiros a chegar na América nessa época foram pessoas provenientes da Ásia, confirmando as teorias sobre a origem asiática dos índios americanos. Existem evidências, acrescentou a investigação, de "dois tipos genéticos de origem asiática, que são únicos nos índios da América do Norte".

"Essa não é apenas a prova de que os índios americanos são descendentes dos primeiros imigrantes do continente, mas mostra também que a imigração começou pelo menos mil anos antes do que se pensava até agora", comentou o professor Eske Willerslev, um dos autores do estudo.

"O continente americano foi o último a ser povoado por seres humanos. Existem muitas teorias contraditórias sobre a Era em que se produziu e sobre a origem dos primeiros imigrantes que chegaram a essas terras", acrescentou Willerslev.

Thomas Gilbert, colega de Willerslev, também acredita que "esta é realmente a primeira prova de que o ser humano esteve presente na América do Norte muito antes do que se imaginava".

Até agora, a teoria mais conhecida sustentava que os habitantes da Sibéria atravessaram a pé no final da Era do Gelo pelo Estreito de Bering, então congelado. Seus descendentes chegaram ao sul, aproveitando a passagem de gelo que há 14 mil anos cobria o norte do continente. De fato, em 1930, foram descobertas ferramentas rudimentares na região de Clovis (Novo México, sudoeste), onde vivia o povoado com o respectivo nome.

Com agências internacionais

Redação Terra
 
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