Descoberta proteína que impede avanço do HIV

25 de fevereiro de 2004 • 15h23 • atualizado às 15h23
A proteína tem um funcionamento mais eficaz nos macacos resos Foto: AP
A proteína tem um funcionamento mais eficaz nos macacos resos
25 de fevereiro de 2004
Foto: AP

Cientistas disseram ter descoberto como alguns macacos resistem a infecção com o vírus da adis, uma descoberta que pode levar ao tratamento contra o HIV em pessoas. Pesquisadores descobriram que uma vez que o vírus entra nas células dos macacos, depara-se com uma proteína que impede a tentativa de replicação. Isso faz com o que o HIV não se espalhe pelo animal.

"Isso é realmente importante porque vai ajudar a construir bases para matar o vírus antes que a doença comece", disse Paul Luciw, da Universidade da Califórnia, em Davis, um microbiólogo que se especializou em pesquisas sobre a aids.

Essa proteína, chamada de TRIM5-alfa, foi identificada em macacos resos por uma equipe de Harvard, no Instituto de Câncer Dana-Farber, em Boston. Não está claro, exatamente, como a proteína atua contra o HIV, de acordo com o médico Joseph Sodroski, que liderou os estudo de Harvard, publicado ontem na revista Nature.

O ser humano tem sua própria versão da TRIM5-alfa, mas ela não é tão eficiente quanto a versão do macaco, no que diz respeito ao vírus. No entanto, pesquisadores podem ter condições de desenvolver um medicamento que faça com que ela trabalhe melhor nesse sentido.

"Nós esperamos que agora que identificamos o fator protéico, é como se tivéssemos encontrado caminhos para manipulá-la e aumentar seu potencial", disse Sodroski, referindo-se à proteína, "e esperamos estimular nossa própria resistência ao HIV, fazendo isso".

O mecanismo poderá, inclusive, trabalhar contra outros vírus. "O que estamos realmente desvendando é o primeiro exemplo de um sistema natural de defesa que pode estar operando contra outras infecções que não o HIV", afirmou. "Nós estamos olhando para o "exemplo 1" e eu duvido que esse seja o único.

Normalmente, o HIV entra nas células e seqüestra suas "fábricas" de produção de proteínas. Depois, ordena o mecanismo a preparar proteínas para fazer novas cópias do HIV, infectando, assim, outras células.

A proteína do macaco bloqueia esse processo, aparentemente interferindo na tentativa do HIV de remover a proteção ao redor do material genético. Essa cobertura deve ser tirada antes que o vírus possa inserir seu material genético no DNA das próprias células, passo chave na replicação.

O estudo publicado na revista pode ajudar os pesquisadores a testar efetivamente a potencial vacina anti-HIV em animais, agora que os cientistas entendem melhor o porquê da resistência dos macacos a doença, de acordo com o médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas.

"Pouco se sabe sobre a família das proteínas que incluem a TRIM5-alfa", disse Stephen Goff, biolquímico da Universidade de Columbia. Mas o estudo de Harvard sugere que há, provavelmente, muitas proteínas resistentes a vírus "que agem em diferentes estágios no ciclo de vida viral". "Gradualmente, agora, elas estão sendo identificadas e logo serão entendias em termos de seu funcionamento".

AP - Copyright 2007 Associated Press. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído.
 
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