Bancoc: países pobres não têm voz na discussão

01 de abril de 2008 • 09h53 • atualizado às 09h53

Nações pobres indignadas que ostentam o fardo do aquecimento global têm se tornado cada vez mais ousadas nas conversações da ONU sobre mudança climática, mas algumas preocupações que os recentes encontros de grandes países estão deixando de lado suas vozes.

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Um grupo de 192 países no âmbito das Nações Unidas está liderando o caminho para negociar um inovador tratado sobre mudança climática, e maioria de seus membros estão atualmente em Bangcoc para tentar fechar um acordo sobre um plano de ação de dois anos.

A reunião ocorre logo após os Estados Unidos presidirem uma reunião das 16 nações mais responsáveis pelo aquecimento global, e antes da discussão sobre o assunto no G8.

"Nós não fomos convidados para participar de nenhum dos processos", disse no Espen Ronneberg, um conselheiro sobre mudanças climáticas da Associação dos Estados das Pequenas Ilhas, que trabalha em Samoa, no encontro em Bangcoc.

"Nós precisamos de um consenso global sobre mudança climática, e por isso ter um processo separado que não é completamente inclusivo não ajuda."

Enquanto a maior parte dos países em desenvolvimento como a China e a Índia fazem parte das grandes iniciativas, o Grupo dos 77, bloco de países em desenvolvimento, disse não ter sido convidado ao evento.

"O equilíbrio tem de vir com a participação de todos, todos os grupos representativos devem estar em torno da mesa. Não somente grupos especializados específicos, que têm quase a mesma meta - o que é um problema", afirmou Byron Blake, representante de Antigua e Barbuda, do Grupo 77, nas Nações Unidas.

O mundo tem até 2009 para elaborar um novo pacto para combater o aquecimento global, que deverá entrar em vigor em 2012, quando expiram as metas de sobre emissão de gases que responsáveis pelo efeito estufa do protocolo de Kyoto.

Um relatório elaborado pelos cientistas líderes em mudança climática no ano passado alertou que as secas, inundações e tempestades vão aumentar conforme as temperaturas globais subirem, atingindo mais duramente os países pobres.

Na visão desses cientistas, as mudanças climáticas começam a afetar seus ambientes e economias, as nações empobrecidos se pronuciam mais sobre o assunto, afirmou Antonio Hill, da conselheiro político para o desenvolvimento, do grupo Oxfam.

"Há uma diferença muito dramática entre as negociações deste ano e do ano passado em relação a dez ou mesmo cinco anos atrás", disse ele.

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