Pais devem escolher entre afastar os jovens do álcool ou ensinar a eles o consumo responsável |
Eric Asimov
Estados Unidos
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Mas isso dificilmente acontece. Os filhos - pelos menos os adolescentes - preferem zombar das obsessões dos pais. Mas ainda não consigo abandonar a esperança de que meus filhos venham a compartilhar de meu gosto em música e comida, livros e filmes, equipes de beisebol e política. Por que o vinho deveria ser exceção?
É o álcool, evidentemente, que torna o vinho não só complicado como possivelmente perigoso. Mesmo assim, eu gostaria de ensinar aos meus filhos, de 16 e 17 anos, que vinho é uma parte maravilhosa da refeição. Gostaria de ensiná-los a apreciar o vinho mas ao tempo deixar bem claro que, em caso de abuso, o vinho pode ser tão perigoso quanto qualquer outra bebida alcoólica.
Enquanto eles estavam crescendo, eu ocasionalmente lhes oferecia um gole de meu copo - talvez de um vinho incomum, ou champanhe em um dia de festa. Eles provaram vinho e nos viam bebendo vinho todas as noites, ao jantar. Agora que os dois chegaram ao segundo grau, decidi que era hora de lhes oferecer a opção de bebericar vinho com as refeições.
Nas regiões vinícolas da Europa, há pais que molham um dedo em vinho e lambuzam os lábios de seus filhos ainda bebês "para dar um gostinho". À mesa de jantar, a água da criança pode levar uma colher de vinho, porque isso diz que "você é parte da família". Um adolescente tem direito a uma pequena taça de vinho, o que lhe apresenta um prazer adulto de maneira segura e fiscalizada. Foi assim que imaginei que o processo transcorreria em minha casa.
Mas cerca de um ano atrás minha mulher participou de uma reunião patrocinada por diversas escolas de segundo grau, em Manhattan, sobre os perigos do álcool para os adolescentes. A discussão muito intensa tinha por tema central o risco de bebedeiras e o efeito da pressão dos colegas, o perigo de danos cerebrais e da permissividade excessiva de parte dos pais, e as questões legais.
Uma autoridade presente condenou o modelo europeu, alegando que o alcoolismo entre os adolescentes da Europa - sem especificar que parte - era muito mais grave que nos Estados Unidos. A mensagem subjacente era a de que nada de bom acontece quando misturamos adolescentes e álcool.
Minha mulher ficou abalada. Concordamos em adiar o plano de degustação. Mas decidi que procuraria respostas sobre a questão por minha conta. Descobri provas conclusivas sobre os perigos do abuso do álcool. Estudos recentes demonstram que beber demais causa mais danos aos cérebros dos adolescentes do que imaginávamos anteriormente, e que a parte do cérebro que se encarrega do juízo só forma completamente aos 25 anos.
"Se alegarmos que beber de maneira responsável requer uma mente responsável, teoricamente álcool só deveria ser permitido depois dos 25 anos", disse o Dr. Ralph Lopez, professor de pediatria clínica e especialista em adolescentes no Weill-Cornell Medical College.
A lei define 21 anos como a idade legal para adquirir e beber álcool. Bill Crowley, porta-voz da Agência Estadual do Álcool de Nova York, confirmou que era ilegal oferecer um gole de uma bebida alcoólica a menores de idade em um restaurante, café ou bar. Mas e em casa?
"Não temos jurisdição sobre o que acontece em casa", disse Crowley. As leis estaduais variam quanto a isso, evidentemente, e falta de jurisdição não significa imunidade. A polícia ou agências de serviço social poderiam interferir caso bebedeiras excessivas por menores de idade fossem encorajadas, em casa. E quando os jovens em questão dirigem, tudo muda. Mas, dentro de casa, a lei ao menos parece permitir a degustação que eu tinha em mente.
Mas ainda assim, será que as leis são justificadas? Pesquisas abundantes demonstram os perigos do consumo excessivo de álcool e a necessidade de oferecer ajuda aos adolescentes que abusem dele. Mas há pouca orientação sobre como ensinar aos adolescentes os prazeres do vinho como acompanhamento de uma refeição.
Seria fácil pregar abstinência até os 21 anos, aos jovens, mas é ingênuo e até irresponsável imaginar que os adolescentes não experimentarão. Será que proibir um golinho de vinho com a comida poderia encorajar experiências clandestinas com bebidas e irresponsabilidade?
Alguns especialistas acreditam que sim. Lopez começou a oferecer pequenas doses de vinho à sua filha, no jantar, quando ela tinha 13 anos. "É preciso estudar a situação da família e decidir como o álcool se encaixa", ele disse. "Se você demonstrar a beleza do vinho, da mesma forma como a de uma excelente receita da vovó, a bebida serve para tornar uma refeição ainda melhor. Mas se a família enfrenta problemas de alcoolismo, a situação é bem diferente".
No melhor dos mundos possíveis, imagino, os jovens não consumiriam álcool antes dos 25 anos de idade, e compreenderiam instantaneamente os prazeres do consumo moderado, ao fazê-lo. Mas me parece tolo imaginar essa possibilidade, do mesmo jeito que seria tolo pensar assim sobre jovens de 21 anos.
A questão ainda não está decidida, em minha família, mas a opinião cautelosa que desenvolvi é a de que meus dois filhos adolescentes têm mais a ganhar do que a perder se tomarem um pouco de vinho ao jantar, ocasionalmente. Por "pouco" quero dizer exatamente isso: um ou dois goles, menos do que uma taça, e decididamente sem que seus amigos que jantem conosco possam beber vinho em nossa companhia, porque a decisão quanto a isso cabe aos pais deles.
O período entre os 15 e os 25 anos é perigoso, e saber que o álcool está associado a muitos dos ricos enfrentados pelos jovens adultos não ajuda. Encontrar o meio do caminho entre o rigor excessivo e a frivolidade é tarefa dos pais. Acho que encontrei a solução, mas não estou 100% seguro.
The New York Times