Cientistas treinam peixes que se "autopescam"

27 de março de 2008 • 16h49 • atualizado às 18h25
Sistema poderia um dia reforçar o diminuído estoque de garoupas
Sistema poderia um dia reforçar o diminuído estoque de garoupas
27 de março de 2008
AP

Pesquisadores do Laboratório Biológico Marinho de Woods Hole, do Estado de Massachusetts, Estados Unidos, estão testando um projeto de treinar peixes para se "autopescarem", nadando em direção a uma rede ao ouvir um sinal que escutarão quando ganharem comida. A técnica se baseia na técnica desenvolvida pelo russo Pavlov.

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Se funcionar, o sistema poderá permitir que as garoupas sejam soltas em alto-mar, onde elas podem crescer até tamanho de venda, e então nadar até uma jaula subaquática para serem recolhidas quando ouvirem o sinal.

"Parece loucura, mas é verdade", disse Simon Miner, pesquisador assistente do Laboratório, que recebeu uma doação de US$ 270 mil pelo projeto da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica americana.

Miner disse que os peixes treinados sob o método poderão um dia ser usados para reforçar o diminuído estoque de garoupas. Peixes criados em cativeiro poderão se adaptar a ambientes naturais se eles puderem ser chamados para alimentação com regularidade

A meta maior é diminuir os custos na criação de peixes, uma fonte de crescente importância entre os frutos do mar consumidos no mundo. A principal questão é: quantos peixes realmente retornariam, e quantos serão perdidos por causa de predadores ou por nadar para outras direções?

Randy MacMillan, presidente da Associação Nacional de Aqüicultura americana, disse que os cultivadores não serão facilmente convencidos para adotar a nova técnica. "O lado comercial será cético", disse MacMillan, que trabalha com criação de trutas em Idaho.

O projeto de Massachusetts é um entre vários experimentos financiados pelo governo americano no ano passado em pesquisas de aqüicultura. Experiências anteriores usaram som para treinar os peixes na alimentação - similares à do cientista russo Ivan Pavlov com cães que salivavam ao ouvir um sino, ao aguardar comida.

No Japão, cientistas utilizam o som para manter peixes recém-soltos em áreas determinadas, onde eles poderiam ser pegos por técnicas tradicionais de pesca.

AP - Copyright 2007 Associated Press. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído.
 
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