Sono ruim afeta mais a saúde de mulheres

26 de março de 2008 • 09h48 • atualizado às 10h46

Da BBC Brasil

São Paulo


O sono de má qualidade afeta mais a saúde cardiovascular de mulheres do que a de homens, segundo um estudo da Duke University, nos Estados Unidos, publicado na revista online Brain, Behaviour and Immunity.

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O estudo afirma que distúrbios de sono estão associados ao estresse psicológico e ao aumento do nível dos biomarcadores - substâncias biológicas encontradas no corpo - que indicam risco mais elevado de doenças cardíacas e diabetes do tipo 2. Os cientistas acreditam que esses sinais são mais fortes nas mulheres do que nos homens que enfrentam o problema.

"O estudo sugere que o sono de má qualidade - medido pelo tempo total de sono, o grau de profundidade e, mais importante, o tempo que se leva para pegar no sono - pode ter conseqüências mais sérias para a saúde da mulher do que para a saúdo do homem", disse Edward Suarez, professor associado do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Duke University e principal autor do estudo.

Segundo Suarez, apesar de as mulheres apresentarem mais problemas no sono do que homens, a maioria dos estudos nesse campo vinha sendo realizada com pessoas do sexo masculino.

Participantes
Neste estudo, os pesquisadores analisaram questionários respondidos por 210 homens e mulheres de meia-idade, aparentemente saudáveis e sem histórico de distúrbios do sono. Nenhum deles fumava ou tomava medicamentos diariamente.

No questionário, os participantes deram notas para vários aspectos de seu sono durante o mês anterior. Medições adicionais avaliaram os níveis de depressão, raiva, hostilidade e a percepção do apoio oferecido por parentes e amigos.

Os cientistas retiraram amostras sangüíneas dos participantes e avaliaram o nível de biomarcadores, indicadores biológicos, associados ao aumento do risco de doenças cardíacas e diabetes, entre eles o nível de insulina e glicose, fibrinogênio (um fator coagulador) e duas proteínas inflamatórias, a C-reativa e a interleucina-6.

Segundo os pesquisadores, cerca de 40% dos homens e das mulheres apresentaram problemas no sono, como dificuldade freqüente em adormecer, demorando mais de meia hora para dormir, ou acordando com frequência durante a noite.

Mas apesar de enfrentarem problemas semelhantes, os resultados do exame médico feitos nos participantes mostraram que os efeitos da falta de sono sobre as mulheres eram muito mais dramáticos.

"Concluímos que, nas mulheres, o sono de má qualidade está fortemente associado ao alto nível de estresse psicológico e aumento dos sentimentos de hostilidade, depressão e raiva. Em contraste esses sentimentos não foram associados com o mesmo nível de distúrbios do sono nos homens", disse Suarez.

As mulheres que relataram nível mais alto de distúrbios de sono também apresentaram níveis mais altos de todos os biomarcadores medidos. Nas mulheres, os distúrbios estavam associados ao aumento nos níveis da proteína C-reativa e Interleucina-6, medidas de inflamação que já foram associadas ao aumento do risco de doenças cardíacas, e níveis mais altos de insulina.

Entre as mulheres que relataram sono de má qualidade, 33% apresentaram níveis da proteína C-reativa associados a um alto risco de doenças cardíacas, disse Suarez.

Segundo Suarez, a qualidade do sono em si nem parece influenciar tanto os riscos de saúde, mas, sim, o tempo em que a pessoa leva para pegar no sono. "As mulheres que relataram demorar meia hora para pegar no sono apresentaram o pior perfil de risco", disse Suarez.

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