Estrela de diamante foi descoberta por brasileiro

19 de fevereiro de 2004 • 15h17 • atualizado às 15h17

No início desta semana, a imprensa de todo o mundo publicou a notícia da descoberta de uma estrela cujo núcleo é um diamante de 10 quintilhões de quilates.

O que poucos sabem é que por trás dessa descoberta cintilante na constelação de Centaurus está um astrônomo brasileiro, Antônio Kanaan. O professor Kanaan dirige o Grupo de Astrofísica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e foi quem descobriu, em 1991, que a estrela BPM 37093, que flutua a 50 anos-luz da Terra, era pulsante.

"Depois, a gente se deu conta de que ela, além de ser pulsante, podia ser uma estrela cristalizada", conta Kanaan.

Estrelas pulsantes são aquelas que emitem luz em intervalos regulares, o que os astrônomos usam para criar modelos sobre a composição desses corpos celestes.

"Da mesma forma que os geólogos usaram sismógrafos para medir os terremotos e, a partir daí, inferir que o núcleo da Terra é de ferro, sem, obviamente, nunca terem mandado nenhuma sonda para lá", explica.

A descoberta de Kanaan e seus colegas Travis Metcalf, da Universidade Harvard, e Michael Montgomery, de Cambridge, nos Estados Unidos, é inédita e comprovou teorias que surgiram no início da década de 60 sobre a cristalização das estrelas.

"Já existiam hipóteses, mas isso nunca havia sido verificado." A partir da verificação, a expectativa agora é que mais estrelas com núcleos cristalizados (de diamante) sejam descobertas.

"A gente está se esforçando para descobrir outras estrelas pulsantes que tenham uma massa grande como essa. De acordo com a teoria, elas devem ser de diamante também. Vamos repetir o teste."

"No momento que a gente consegue provar que essas estrelas pulsantes em temperatura mais alta estão cristalizadas, é mais ou menos certo que outras estrelas também estejam."

Seguindo o raciocínio do astrofísico, milhares de corpos celestes que não foram detectados poderiam ter os seus núcleos cristalizados. Ou seja, há muitos outros diamantes de vários quintilhões flutuando no universo. No entanto, essas gigantescas pedras preciosas não podem ser exploradas por mineradores espaciais.

Segundo Kanaan, os núcleos das estrelas anãs-brancas, como são classificados os corpos celestes como o que foi descoberto, apesar de não terem mais combustível nuclear, permanecem em temperaturas altíssimas. Graças a isso, e por causa das condições de pressão a que estão submetidos, os núcleos se mantêm coesos e formam os diamantes. "Se fossem retirados lá de dentro, desmanchariam."

Mas será que não existem estrelas ainda mais antigas cujos núcleos já esfriaram e poderiam ser explorados?

"Aí tem um outro problema: a idade do universo. Acreditamos que, para uma estrela resfriar totalmente, sejam necessários cerca de 120 bilhões de anos. E o universo não é tão antigo."

A notícia pode ser um balde de água fria para quem alimentava esperanças de uma "corrida do diamante espacial".

"Eu estava brincando com um amigo meu para inflar um boato de que vão aparecer toneladas de diamantes para abalar o mercado e comprar diamantes baratinho. Depois que todo mundo vir que é mentira, a gente vende outra vez", brinca o astrônomo.

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