Antigo Egito

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Quarta, 18 de fevereiro de 2004, 20h50

Autópsia em múmia egípcia pode revelar doenças

Uma equipe de especialistas fez hoje, em Barcelona, uma autópsia na múmia egípcia da Dama de Kemet com o objetivo de desvendar as possíveis patologias femininas e os hábitos alimentares da época. O coordenador da equipe, o médico Albert Isidro, disse que, "mediante a técnica da análise do DNA aplicada aos tecidos obtidos em uma autópsia endoscópica, que pela primeira vez na Espanha será usada no estudo de uma múmia, poderemos saber o grupo sanguíneo, a dieta, as possíveis doenças que sofreu e a constituição física" da Dama de Kemet.

Ele acrescentou que o trabalho que será feito posteriormente no laboratório deverá "separar os numerosos contaminantes que afetaram a múmia para que seja possível analisar o corpo e determinar questões como se em sua alimentação predominavam os alimentos vegetais, a carne ou o peixe".

Além disso, a autópsia permitirá obter um estudo pormenorizado das madeiras utilizadas no sarcófago, os elementos têxteis e contaminantes biológicos que integram a vendagem, a pele e o tecido subcutâneo, o tecido muscular e ósseo e os órgãos internos, entre eles o coração.

Também será possível saber, através da análise imunológica, se algum germe causou a morte da mulher ao redor dos 35 anos, "algo provável porque naquela época 80% das pessoas morriam de doenças infecciosas", acrescentou Isidro. Os resultados da autópsia, que estarão prontos em um mês e meio, serão apresentados nos próximos meses e incluídos no V Congresso Mundial de Estudos de Múmias de Turim (norte da Itália) em setembro.

A equipe responsável pela autópsia está integrada por membros do departamento de biologia celular do Hospital Clínico de Barcelona e do departamento de antropologia biológica da Universidade Autônoma desta cidade. A Dama de Kemet está composta de vendas, estuque e madeira e pertence a época romana (150-200 DC).

De procedência desconhecida, esta múmia já foi submetida a um estudo bioarqueológico pouco após sua aquisição em 1998 pelo Museu Egípcio de Barcelona e, segundo Isidro, "foi selecionada para esta pioneira autópsia por estar em bom estado".

A múmia da Dama de Kemet apresenta uma vendagem na qual aparecem pintadas imagens divinas que fazem referência ao ciclo eterno da vida e uma de suas principais características é a representação em seu rosto de um dos chamados "retratos do Fayum", que se situam cronologicamente entre os século I e IV de nossa era, na época da dominação romana no Egito.

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Reuters O procedimento foi realizado por especilistas no museu de Barcelona O procedimento foi realizado por especilistas no museu de Barcelona

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