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Sábado, 15 de março de 2008, 09h59 Atualizada às 12h06

Cientistas marcam data para o fim do planeta

No final, não restarão nem mesmo fragmentos. Caso não haja interferência com a natureza, dentro de 7,59 bilhões de anos a Terra será arrastada de sua órbita por um sol vermelho e inchado, e entrará em uma espiral que resultará em sua decomposição final em forma de gases. Tudo isso de acordo com cálculos recentes de dois astrônomos: Klaus-Peter Schroeder, da Universidade de Guanajuanato, no México, e Robert Connon Smith, da Universidade de Sussex, Inglaterra.

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O relatório deles, que será publicado pelo Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, é a mais recente e pessimista adição a um longo debate sobre o destino do nosso planeta. No ano passado, por exemplo, a descoberta de um planeta gigante percorrendo sua órbita em torno de uma estrela extinta em Pégaso sugeria que a Terra poderia sobreviver à morte do Sol.

Smith classificou a nova previsão como "um tanto deprimente", em uma série de mensagens de e-mail. Mas, "observada por outro ângulo", acrescentou, "ela representa incentivo para que façamos alguma coisa para encontrar maneiras de deixar nosso planeta e colonizar outras áreas da galáxia".

O problema básico da Terra é que o Sol se tornará gradualmente maior e mais luminoso, de acordo com teorias amplamente aceitas de evolução estelar. Em seus primeiros 4,5 bilhões de anos, de acordo com esses modelos, o Sol já cresceu em 40%.

Nas eras vindouras, a vida na Terra se tornará mais úmida e mais desconfortável, até que por fim se torne impossível. "Mesmo que a Terra conseguisse escapar à absorção pelo Sol", disse Mario Livio, astrônomo no Instituto de Ciências de Telescopia Espacial, "ela ainda ficaria completamente calcinada, e a vida que abriga estaria extinta".

Dentro de um bilhão de anos, o Sol deve se tornar 10% mais brilhante do que hoje. Os oceanos da Terra se evaporarão. O Sol esgotará o hidrogênio combustível em seu núcleo dentro de cerca de 5,5 bilhões de anos, e começará a queimar hidrogênio das camadas adjacentes. Como resultado, o núcleo encolherá e as camadas externas se expandirão velozmente, e o Sol se transformará em uma estrela do tipo gigante vermelha.

O calor desse período final de agonia transformará o Sistema Solar. No Cinturão de Kuyper, para lá de Netuno, haverá primavera por algum tempo. Mercúrio e Vênus serão certamente engolidos, mas o destino da Terra nunca foi confirmado.

A razão para isso é que, ao se inchar, o Sol expelirá porção substancial de sua massa. Com isso, o domínio gravitacional que exerce sobre os planetas será debilitado, e estes recuarão para órbitas mais distantes. A Terra poderia acabar na posição hoje ocupada por Marte, "no limite entre ser engolida ou escapar", disse Livio.

Determinar se a Terra será engolida depende de qual dentre dois efeitos sairá vitorioso. Ao mesmo tempo que a Terra estará recuando a uma posição mais segura, as forças que interagem entre ela e o Sol em expansão tentarão arrastar o planeta para mais próximo da estrela.

Em 2001, uma análise dessas forças por Kacper Rybicki, do Instituto Polonês de Geofísica, e Carlos Denis, da Universidade de Liege, concluiu que as perspectivas pareciam desfavoráveis, mas que a Terra poderia ter chance de sobreviver.

No entanto, de acordo com Smith e Schroeder, a chance é zero. Uma das chaves para o trabalho deles é uma nova forma de calcular quanta massa o Sol perderia em sua expansão cataclísmica, e assim que tamanho ele atingiria e até que ponto a Terra se afastaria dele. Quanto mais massa for perdida, paradoxalmente maior a expansão do Sol, como um balão cujo elástico enfraquece quando ele se distende.

Usando uma nova técnica desenvolvida por Schroeder e Manfred Cuntz, da Universidade do Texas em Arlington, os autores calcularam que a perda de massa equivaleria a um terço da massa original do Sol, ante estimativas anteriores da ordem de 25%.

Como resultado, a versão vermelha e agigantada do Sol ¿ em seu ponto de máxima expansão - seria 256 vezes maior do que hoje, e 2.730 vezes mais luminosa.

A Terra, calcinada e estéril, deslizaria por sobre as ondas da estrela gigante, o que causaria uma bolha no sol. A fricção levaria a bolha a persistir, tentando acompanhar a Terra. A gravitação da bolha desaceleraria o planeta, e o colocaria em trajetória espiral na direção do Sol, onde a fricção com gases da atmosfera solar expandida ou desaceleraria ainda mais.

E então a Terra se precipitaria rumo ao Sol.

Será que os robôs, baratas ou quem quer domine a Terra dentro de um bilhão de anos poderiam escapar disso? Uma opção seria abandonar o planeta em troca de outro, ou de outro sistema solar.

Outra opção, diz Smith, seriam obras de engenharia de larga escala e risco imenso. Da mesma forma que naves espaciais podem usar as forças gravitacionais de planetas como Vênus ou Júpiter para ganhar empuxo em suas viagens, a Terra poderia promover encontros regulares com cometas ou asteróides que elevassem sua órbita e a afastassem mais do Sol, de acordo com estudo de Don Korycansky e Gregory Laughlin, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, e Fred Adams, da Universidade do Michigan, publicado em 2001.

Mas Laughlin diz que eles não defendem a idéia de alterar a órbita terrestre, afirmando que um erro de cálculo poderia causar choque entre o cometa e o planeta.

"Há questões éticas profundas em jogo", afirmou ele em mensagem de e-mail, "e o custo de um fracasso seria inaceitavelmente elevado".

De qualquer forma, uma manobra como essa tornaria a Terra mais viável por apenas mais alguns bilhões de anos.

Tradução: Paulo Migliacci ME

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