Secreções cutâneas de uma rã poderiam curar o diabetes tipo 2

03 de março de 2008 • 21h56 • atualizado às 21h56

As secreções cutâneas de uma rã sul-americana poderiam ser usadas para tratar o diabetes tipo 2, informou hoje um grupo de cientistas da Universidade do Ulster (Irlanda do Norte) e a Universidade dos Emirados Árabes Unidos.

O estudo, apresentado hoje em uma Conferência sobre Diabetes realizada em Glasgow (Escócia), apontou que a chamada "rã paradoxal" é capaz de produzir um composto que estimula a emissão de insulina.

Os cientistas acham que a versão sintética desse composto, conhecida como "pseudin-2", poderia ser usada para a elaboração de novos remédios eficazes no tratamento do diabetes tipo 2.

Esse animal recebe o nome de "rã paradoxal" porque em sua etapa de girino chega a medir 27 centímetros, enquanto na fase adulta seu tamanho é reduzido até os quatro centímetros.

Só no Reino Unido acredita-se que cerca de dois milhões de pessoas sofrem de diabetes, que ocorre quando o organismo não gera suficiente insulina ou esta não funciona adequadamente, o que leva o paciente a não ser capaz de regular os níveis de glicose no sangue.

O presidente da associação britânica Diabetes UK, Douglas Smallwood, explicou que o diabetes tipo 2 pode ser controlado por meio de uma dieta adequada e exercício físico, embora o tratamento farmacêutico torna-se indispensável à medida que a doença progride.

"Necessitamos de novos tratamentos, porque assim poderemos reduzir o risco de complicações, como a cegueira, problemas coronários ou nefríticos", destacou Smallwood.

Segundo Yasser Abdel-Wahhab, membro da equipe de pesquisa, os primeiros resultados conseguidos com o "pseudin-2" foram "fascinantes", pois se conseguiu "estimular a secreção de insulina de células do pâncreas sem produzir efeitos tóxicos".

Também notaram que a versão sintética do "pseudin-2" é mais eficaz que a natural, o que abre caminho para o desenvolvimento de remédios eficazes, acrescentou o cientista.

"Precisamos pesquisar mais - precisou -, mas a cada dia há mais estudos sobre descobrimentos de drogas naturais contra o diabetes que, como se pode ver, estão dando resultados incríveis".

Abdel-Wahhab explicou, além disso, que as investigações sobre as propriedades de cura das secreções de anfíbios para tratar o diabetes se encontram em um estado muito avançado.

Prova disso é o êxito do remédio "Exenatide", elaborado a partir de um hormônio denominada exedin-4 do lagarto Gila, espécie oriunda dos desertos do sul dos Estados Unidos e do norte do México.

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