Cientistas: bactérias são responsáveis por chuvas

29 de fevereiro de 2008 • 17h35 • atualizado em 01 de março de 2008 às 08h06

Até agora, sabia-se que algumas bactérias que flutuam na atmosfera provocam chuva em certas condições e em algumas áreas, mas uma equipe de cientistas comprovou sua presença no mundo todo e sua importância para o clima.

Geralmente, o vapor d''água acumulado nas nuvens se precipita em forma de chuva quando esta água se congela próximo a partículas sólidas que flutuam na atmosfera, seja de areia e grãos minerais a pó de origem biológica.

Os cientistas sabiam que sobre amplas zonas agrícolas - como extensas plantações de trigo - e de florestas - como a Amazônica - a presença abundante de pólen e bactérias em zonas médias e altas da atmosfera eram os principais núcleos sólidos pelos quais a formação de gelo se catalisava.

Este gelo, ao atravessar posteriormente as camadas mais quentes do ar, se transforma em chuva. Os meteorologistas chamam esse processo de nucleação, e é a origem, por exemplo, das freqüentes chuvas barrentas que ocorrem poucos dias depois e a milhares de quilômetros de uma tempestade de areia no deserto.

No estudo que será publicado no sábado pela revista Science, Brent Christner, biólogo da Universidade do Estado da Louisiana (Estados Unidos), e outros cientistas encontraram evidências de que as bactérias que fazem chover se distribuem por toda a atmosfera terrestre e estão entre as principais partículas catalisadoras de chuva.

O estudo, que confirma algumas suposições de biólogos e meteorologistas, poderia ter aplicações práticas para provocar chuva artificial. As principais bactérias que provocam chuvas são organismos fitopatógenos, como a Pseudomona Syringae, prejudicial aos cultivos por ser parasita do talo e das folhas das plantas.

Brent Christner afirma, no trabalho, que o biólogo David Sands, da Universidade de Montana, propôs o conceito de bioprecipitação há 25 anos, mas poucos cientistas levaram o estudo a sério.

A equipe de Christner examinou a água da chuva em diferentes lugares e percebeu que o principal agente que a provoca tem uma origem biológica, e que as bactérias têm a capacidade de provocar a formação de gelo a temperaturas mais altas do que o pó mineral, por exemplo.

Este resultado, que transforma em global o que antes era tido apenas como um fenômeno local, pode dar razão a alguns biólogos que supunham que a capacidade das bactérias para provocar chuvas era uma adaptação evolutiva para melhorar sua distribuição.

No caso de certas bactérias, a presença de algumas proteínas concretas que não aparecem na membrana de outras espécies - e que são capazes de nuclear gelo mais rápido - fazia com que se pensasse que essa capacidade era uma forma de facilitar sua dispersão, como no caso de certos fungos com esporos especialmente voláteis.

"Encontramos nucleação de origem biológica da Louisiana à Antártida, o que demonstra que estamos começando a compreender a complexa relação entre o clima do planeta e a biosfera", afirmou Christner.

David Sands, o cientista citado por Christner em seu estudo, já havia publicado um trabalho sobre a nucleação produzida por bactérias, no qual propôs solucionar as geadas nos campos cultivados, disseminando bactericidas, "como são curadas as infecções".

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