Civeta passou de prato exótico a inimigo na China

09 de janeiro de 2004 • 14h40 • atualizado às 14h40

Depois do anúncio do reaparecimento de casos de Sars na região de Cantão, um animal estranho e pouco conhecido, a civeta ou gato-de-algália, passou em poucos dias de prato exótico procurado por gastrônomos do sul da China a inimigo público número um.

A civeta, animal que se parece com a marta ou o texugo, tem um longo rabo e listra negras na pele. É considerada o possível vetor de transmissão do vírus da superpneumonia ao homem, doença que voltou a assustar a China esta semana. As autoridades confirmaram um caso e registraram outro suspeito na província meridional de Cantão.

O governo chinês decidiu sacrificar todas as civetas da região, onde o animal era vendido por até 1 mil iuanes (US$ 120) nos mercados e constitua um dos pratos mais apreciados pelos restaurantes que servem carne de caça.

Sua popularidade crescente nos últimos anos é o reflexo do enriquecimento dos chineses, para quem comer carne de civeta, que geralmente é servida recheada com molho de soja, é tão importante para o paladar como para a aparência do nível social. "Não sei exatamente qual o valor nutritivo da civeta, mas pessoas pensam que faz bem. A carne é tenra", declara Liao Xuanfu, cantonês que já provou e aprovou a iguaria.

O animal também é um dos ingredientes do prato chamado "dragão, tigre e fênix", em cuja receita desempenha o papel de tigre, enquanto a serpente é o dragão e o faisão a fênix. O prato é considerado um fortificante para o sistema imunológico.

A demanda por carne de civeta em Cantão aumentou a tal ponto que o animal agora é criado em granjas e importado de outras províncias. Segundo o Diário de Guangzhou, a demanda atingiu a marca de cinco milhões de cabeças por ano, mas a cria só produz 50 mil animais.

A civeta também é muito popular em Hong Kong, onde só perde em status para a serpente na lista de animais exóticos mais apreciados pelos habitantes locais, segundo uma pesquisa de 1996 realizada pela associação ecológica "Traffic East Asia".

Os grupos de defesa dos animais já protestaram por causa das condições nas quais estes animais são transportados, empilhados nos mercados e sacrificados a golpes diante dos clientes para garantir o frescor.

Agora, o que as organizações de proteção aos animais não conseguiram em anos, a Sars pode obter em poucos dias.

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