Brasil descobre menor réptil voador pré-histórico

11 de fevereiro de 2008 • 15h18 • atualizado às 19h31
O fóssil, batizado de  Nemicolopterus crypticus , foi apresentado no Rio de Janeiro Foto: Uanderson Fernandes/O Dia
O fóssil, batizado de Nemicolopterus crypticus, foi apresentado no Rio de Janeiro
11 de fevereiro de 2008
Foto: Uanderson Fernandes/O Dia

Um grupo de paleontólogos brasileiros anunciou nesta segunda-feira a descoberta de uma nova espécie de réptil pré-histórico voador na China e a teoria formulada a respeito da evolução deste grupo de animais.

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O estudo, divulgado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), da National Academy of Sciences of the United States of America, é o primeiro publicado por pesquisadores brasileiros neste veículo de comunicação.

O fóssil, batizado de Nemicolopterus crypticus, foi apresentado hoje em uma conferência no Rio de Janeiro. A espécie teria vivido há cerca de 120 milhões de anos e tinha 30 cm de envergadura. Era um ser sem dente e tinha uma anatomia única, especialmente com suas garras curvas, que serviam para se segurar no topo das árvores. A equipe, responsável pelo achado, suspeita que ele vivia nas copas das antigos bosques chineses e se alimentava de insetos.

A descoberta é surpreendente em vários aspectos, não só por ser raro encontrar fósseis de quaisquer Pterossauros ("lagartos alados" em grego), nem porque a descoberta revela uma espécie completamente nova. Mas também porque traz implicações para a compreensão da evolução dos pterossauros - um grupo de répteis que evoluiu sua capacidade de vôo e que cruzava os céus há 230 milhões de anos.

De acordo com Alexander Kellner, principal autor do estudo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estes seres devem ser sido extintos há 65 milhões de anos. "A descoberta abre um novo capítulo na história evolutiva dos pterossauros", garantiu.

A nova espécie pertence a um ramo da família dos répteis que se caracteriza por ter pterossauros maiores e que se alimentavam de peixe. Os pterossauros pertencentes a esta família - Dsungaripteroidea - ou os que estão proximamente relacionados, têm envergaduras de um metro. Em alguns casos eram criaturas gigantescas que mediam até seis metros da ponta de uma asa a outra.

A descoberta do Nemicolopterus crypticus, e o fato de que tenha pertencido a uma classe ou família de répteis que existiu numa etapa avançada da evolução da espécie, sugere que estes répteis posteriores estavam ligados a pterossauros mais primitivos do que se pensava.

Não está claro ainda, no entanto, se este ramo da família continha outro tipo primitivo de habitantes do bosque, ou se o Nemicolopterus crypticus era apenas uma anomalia.

"Ele pode ter morrido e pronto", disse Kellner. "Ou pode ter existido toda uma história dos pterossauros que viveram nas copas das árvores, não só na China, mas também em outras partes do mundo", explicou o professor da UFRJ.

O estudo foi realizado por pesquisadores do Setor de Paleovertebrados do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional, do Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Pequim, na China.

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