Alimento pré-mastigado pode transmitir HIV a bebês

07 de fevereiro de 2008 • 10h41 • atualizado às 10h41

Lawrence K. Altman

Estados Unidos


Pesquisadores identificaram mais uma maneira pela qual bebês podem ser infectados com o HIV - por meio de alimento pré-mastigados por um de seus pais ou pela pessoa que tome conta deles.

Ainda que milhares de bebês tenham sido infectados nos Estados Unidos ao longo dos 15 últimos anos, alimentos pré-mastigados foram identificados como fonte em apenas três casos, disseram epidemiologistas na quarta-feira.

Mas essa forma de transmissão talvez não seja tão rara, disse a equipe do médico Kenneth Dominguez no Centro de Controle e Prevenção de Doenças, uma organização federal, na 15ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, em Boston.

A pré-mastigação de alimentos aparentemente é freqüente nos Estados Unidos e em outros países. Assim, a transmissão do HIV, o vírus da aids, a infantes pode ser um problema não identificado nos países em desenvolvimento, onde existe deficiência em tratamentos dentários, escassez de comida industrializada para bebês e baixa disponibilidade de liquidificadores, e os pais e responsáveis por bebês talvez precisem amaciar os alimentos, afirmou Dominguez em entrevista.

A equipe dele afirmou que existem diversos motivos para que os três casos, que remontam em 1993, tenham sido reportados pela primeira vez. Um era conscientizar os responsáveis pelas saúde e pelos cuidados de crianças infectadas quanto ao possível risco da pré-mastigação. Outro era solicitar aos médicos e familiares que reportassem casos do gênero às autoridades de saúde, de maneira a permitir uma avaliação das dimensões da ameaça.

O vírus da imunodeficiência humana está presente na saliva, mas usualmente em volume pequeno demais para causar transmissão. Assim, presumivelmente, o sangue, que contém maior volume do vírus, também é necessário para a transmissão. As pessoas infectadas que tenham feridas abertas ou inflamações na boca podem transmitir o vírus a bebês em função de cortes ou outros problemas dentários, disse Dominguez.

Ainda que os três casos envolvessem bebês negros nascidos nos Estados Unidos, pré-mastigação é uma prática comum entre muitos grupos étnicos e raciais, de acordo com recente pesquisa sobre os hábitos de alimentação de bebês conduzida pelo Centro, disse Dominguez.

"É provável que certas influências culturais estejam envolvidas, e estou certo de que as pessoas estão simplesmente a prática de gerações passadas", ele afirmou.

Epidemiologistas da organização, trabalhando com pesquisadores do Hospital Infantil de Pesquisa St. Jude's, em Memphis, e com a Universidade de Miami investigaram os três casos de maneira intensiva e descartaram outras possíveis formas de transmissão, como amamentação, abuso sexual ou agulhas contaminadas.

Os dois primeiros casos envolviam menos de Miami infectados nos anos 90. Em um caso, a infecção foi detectada aos 39 meses de vida do bebê, pouco de sua morte. Ele havia sido testado duas vezes e o vírus não havia sido encontrado, anteriormente. Sua mãe, que era portadora, informou ter pré-mastigado comida para o bebê.

Estudos genéticos demonstraram que os vírus isolados no primeiro e no terceiro dos casos documentados de contaminação eram provenientes das mães. A tia que pré-mastigava os alimentos do bebê do segundo caso morreu antes que amostras de sangue pudessem ser obtidas.

Os pesquisadores tentarão determinar se outros micróbios perigosos como o vírus da hepatite B e o Helicobater pylori podem ser transmitidos via alimentos pré-mastigados.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
 
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