Saturno brilhará com intensidade na virada do ano

14 de dezembro de 2003 • 14h33 • atualizado às 14h40
O reflexo da luz do sol nos anéis deixará o planeta extremamente brilhante Foto: Nasa/Divulgação
O reflexo da luz do sol nos anéis deixará o planeta extremamente brilhante
14 de dezembro de 2003
Foto: Nasa/Divulgação

Quando os relógios marcarem meia-noite na virada de 2003 para 2004, as atenções devem estar voltadas para o céu. Nesse momento será possível observar uma estrela amarela com um brilho mais intenso que as demais. Essa estrela é, na verdade, um planeta: Saturno, em sua maior aproximação com a Terra para os próximos 29 anos.

"Saturno estará realmente bonito", disse o astrônomo da Nasa, Mitzi Adams. "Não só Saturno estará próximo da Terra - a 748 milhões de milhas de distância - mas também seus anéis estarão inclinados em nossa direção. O reflexo da luz do sol nos anéis deixará o planeta extremamente brilhante".

O ano de 2004 será um grande ano para Saturno. A nave espacial Cassini-Huygens, em órbita desde 1997, chegará no planeta em junho. Outras naves já estiveram em Saturno - a Pioneer 11 e os Voyagers - mas elas apenas sobrevoaram por ele, tirando algumas rápidas fotografias. Quando Cassino alcançar o planeta, ficará lá por pelo menos quatro anos.

Saturno é um mundo de grandes mistérios. Considerando seus anéis: pesquisadores não estão certos sobre o quê os fez e quando foram formados. Algumas evidências sugerem que os anéis são novos - apenas algumas centenas de milhões de anos. Se sim, eles cercaram o planeta aproximadamente durante o mesmo período em que os dinossauros dominaram a Terra. Em termos cósmicos, isso é considerada história recente.

Os anéis de Saturno podem estar desmoronando tão rápido quanto se formaram, dizem alguns teóricos. Pequenas luas que orbitam por regiões do sistema anelar estão ganhando momentos angulares às custas dos anéis, um resultado de interação gravitacional entre as luas e pedaços de anéis. Durante os próximos cem milhões de anos, a metade exterior dos anéis poderá se arrastar em direção ao planeta, enquanto as pequenas luas serão arremessadas para fora. Saturno será bem menos impressionante depois disso.

Poderia acontecer realmente? Cassino irá reunir os dados que os cientistas precisam para responder essa questão e muitas outras sobre os anéis de Saturno, luas, clima e magnetismo. Há muito o quê se aprender sobre esse distante planeta.

Tão intrigante quanto Saturno é sua lua gigante Titan. "Você pode vê-la com um telescópio - uma "estrela" de oitava magnitude a apenas alguns diâmetros de anéis de Saturno, movendo-se de noite a noite enquanto orbita o planeta", observa Adams. Titan é maior que os planetas Mercúrio e Plutão, e tem uma atmosfera 60% mais densa que a da Terra. Em outras palavras, Titan é um mundo completo. Se orbitasse o sol, Titan certamente seria considerada um planeta.

A curiosidade sobre Titan é o quão pouco se sabe sobre ela. Poderia ser abundante em vida ou repleta de ruínas de antigas civilizações, e não se saberia, porque Titan está completamente coberta por finas nuvens laranjas. Uma câmera acoplada ao telescópio Hubble conseguiu ver através dessas nuvens, com lentes especiais. As imagens dão dicas de continentes e mares, mas Titan está tão distante que nem o Hubble obtém fotos claras.

Em janeiro de 2005, Cassino irá largar a sonda Huygens, da Agência Espacial Européia, para descobrir o que há de baixo das nuvens. Isso poderia ser um dos momentos mais excitantes da exploração do sistema solar. Huygens irá tirar mais de 1,1 mil fotografias durante duas horas e meia. Amostras da atmosfera de Titan também serão colhidas, os ventos serão medidos, e - se a sonda resistir a aterrissagem - medirá as propriedades físicas do solo.

Huygens provavelmente não encontrará evidência de vida, ao menos não vida como conhecemos. Titan é muito fria. A temperatura da sua superfície, de acordo com estimativas de pesquisadores, é de -9ºC. Mas isso não significa que seja impossível haver vida. A atmosfera da lua é rica em organismos compostos: etano, metano, cianeto de hidrogênio e outros. A baixa temperatura possibilita ao etano e metano a se liquidificar, então pode haver pântanos, lagos ou até mesmo, oceanos de hidrocarbonetos líquidos. Talvez esses sejam locais onde moléculas orgânicas se juntam para a primeira formação de uma simples vida.

Redação Terra
 
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