Laurence Monnot
Áustria
Há três hipóteses que podem explicar o desaparecimento, de acordo com Christoph Waldner, da WWF: morte natural, emigração ou uma intervenção criminosa de seres humanos. Criminosa porque os ursos pertencem a uma espécie rigorosamente protegida. A caça e captura dos animais é proibida e passível, na Áustria, de sentença de prisão de até três anos.
Para Waldner, especialista em ursos, um número tão grande de animais não poderia ter morrido tão rapidamente de causas naturais. E, além disso, nenhum cadáver foi recuperado. A hipótese da migração parece igualmente excluída: não foram localizados ursos do lado de lá da fronteira austríaca, na Itália ou Eslovênia. A explicação mais verossímil, portanto, parece ser a de que tenham sido abatidos por caçadores... ou caído vítimas de uma confusão. "Nos últimos anos, javalis selvagens, cuja caça noturna é permitida, invadiram o território dos ursos", aponta George Grauer.
"Defensor dos ursos", o zoólogo decidiu intervir logo que alertado sobre a situação. "No passado, costumava haver cerca de 20 casos por ano de depredação causada por ursos, que variavam de ataques a tanques de óleo de colza a raros casos de ataques a ovelhas". O número era insuficiente para desencadear uma vendeta organizada contra os ursos, em sua estimativa. Mas agricultores indignados são muitas vezes os caçadores em casos como esse. Será que a ursa Christl, que desapareceu sem deixar traços em 1998, foi vítima de um acerto de contas? Seu apego ao óleo de colza e sua ousadia eram proverbiais na região.
Agentes da polícia austríaca estão recolhendo depoimentos e indícios desde 2006, mas por enquanto não obtiveram sucesso. Foram recuperados dois ursos empalhados, mas o primeiro deles, como um teste de ADN revelou, era proveniente da Romênia. O segundo era um urso austríaco, mas o caçador que o abateu já havia morrido, o que serviu para encerrar o inquérito.
Um estudo conduzido pelas universidades de Viena e de Freiburg concluiu que os Alpes orientais poderiam acolher um total de mil ursos. Mas não existem mais que 38 animais vivendo na região hoje. Sem medidas de proteção e de estímulo ao intercâmbio entre as populações de ursos austríaca, italiana e eslovena, a situação só pode piorar. "Na ausência de miscigenação, o patrimônio genético se empobrece", lastima Waldner, que aponta que, caso Elsa não tenha uma nova ninhada de filhotes, os ursos austríacos estarão condenados à extinção.
Tradução: Paulo Migliacci ME
Le Monde