Menina muda de grupo sangüíneo após transplante

24 de janeiro de 2008 • 10h29 • atualizado às 13h10

Uma menina australiana mudou espontaneamente de grupo sangüíneo e adotou o sistema imunológico de seu doador após ter sido submetida a um transplante de fígado, um caso sem precedentes conhecidos, ressaltaram nesta quinta-feira fontes médicas.

» Técnica evita rejeição de transplantes

Demi-Lee Brennan, acometida por uma grave doença, tinha 9 anos quando fez o transplante. Nove meses depois os médicos descobriram que havia mudado de grupo sangüíneo e de sistema imunológico para adotar os do doador, depois que as células-tronco do novo fígado migraram para sua medula óssea.

Agora ela vive com um fígado saudável aos 15 anos, disse Michael Stormon, um dos médicos responsáveis pelo seu tratamento. "É insólito, de fato não sabemos de nenhum outro caso em que isto tenha ocorrido", declarou Stormon. "Na verdade, foi submetida a um transplante de médula óssea. A maior parte de seu sistema imunológico também foi substituído pelo do doador", acrescentou.

Milagre

A mãe de Brennan, Kerrie Mills, classificou o fato de "milagre" e a própria paciente disse em uma entrevista coletiva à imprensa que os médicos a trouxeram de volta à vida. "Por mais que agradeça nunca será o suficiente. É como se fosse minha segunda chance", afirmou.

A equipe médica que tratou Brennan está muito interessada em analisar se é possível tirar proveito deste caso, levando em conta que a rejeição de órgãos do doador por parte do sistema imunológico do receptor é uma das principais barreiras para os transplantes.

Stormon considera que a menina pode ter sido beneficiada por "uma seqüência de acontecimentos fortuitos". É possível, disse, que uma infecção pós-transplante tenha permitido que as células-tronco hepáticas de seu doador tenham se proliferado em sua medula óssea, onde se desenvolveram as células sanguíneas.

A dificuldade está agora em estabelecer se é possível reproduzir este resultado em outros pacientes. "Nosso desafio agora é tentar entender como ocorreu", afirmou Stormon. "O Santo Graal da medicina do transplante é a imunotolerância. Ela é um exemplo de que pode ocorrer", concluiu.

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