O Velociraptor foi reconstituído pela equipe do Museu de História Natural de Taubaté (SP) |
Marcelo Pedroso
Direto de Taubaté
São Paulo
Ao contrário dos "gigantes" cheios de escamas que aparecem no filme, o velociraptor em exposição no museu mede cerca de 1 m de altura, pesa 15 kg e seu corpo é coberto por uma espessa penugem.
Segundo a direção do museu, a forma com a qual o pequeno dinossauro carnívoro foi retratada é a que mais se aproxima das últimas pesquisas sobre a espécie.
Em setembro de 2007, por exemplo, a revista Science publicou o encontro do osso do antebraço de um velociraptor cheio de pequenos orifícios, marcas da existência de penas.
Apesar do tamanho reduzido, o velociraptor era um animal muito agressivo. Ele atacava em grupos, com mordidas e garras enormes, animais de porte muito maiores.
Reconstituição
"Não deixa de ser um bicho sanguinário. Temos o crânio, a pata e todas as dimensões do animal, o que nos permitiu esta reconstituição. Já existem no mundo outras reconstituições que mostram o velociraptor com penas, mas não conheço nenhuma aqui na América Latina", disse o diretor presidente da Funat (Fundação de Apoio à Ciência e Natureza), entidade mantenedora do museu, Herculano Marcos Ferraz de Alvarenga.
Segundo Alvarenga, a reconstituição do velociraptor demorou cerca de quatro meses e foi motivada pela confirmação científica publicada na Science. "Nosso trabalho foi impulsionado a partir da descoberta do úmero (osso do antebraço) com orifícios."
Além do velociraptor com penas, o Museu de História Natural de Taubaté reabriu suas portas em 2008 com uma nova coleção de mamíferos da África. A coleção é formada por 26 peças, entre as quais diversos "shoulders" (cabeça e ombro) de animais como o órix e a palanca negra.
A coleção foi doada ao museu pela família de Galdino Magalhães Vieira, biólogo falecido em agosto do ano passado.
Visitação
Com as novidades em exposição, Alvarenga espera dar continuidade ao aumento de visitação registrada desde o início das atividades do museu, em julho de 2004. Atualmente, a média de visitação diária é de 50 pessoas, com um pico de público que chega aos 300 visitantes.
Entre os visitantes estão turistas do Paraná, Sul de Minas e do interior de São Paulo. "Recebemos visitantes de várias partes do país e estudantes que vão do pré-primário à universidade", disse o diretor.
Atualmente, o museu conta com uma reserva técnica formada por cerca de 10 mil peças, das quais cerca de 4 mil estão em exposição.
"É importante lembrar que o museu renova suas exposições. Pessoas que já visitaram o museu podem retornar, porque as exposições sempre mudam." Em uma área de 700 m², estão expostos fósseis, réplicas e animais taxidermizados (empalhados), entre outros.
Além das exposições, a instituição também trabalha com o desenvolvimento de atividades de pesquisa e formação de pessoal especializado nas áreas de zoologia e paleontologia. Toda a equipe do museu é formada por 15 pessoas, entre biólogos formados, mestrandos, doutorandos e estagiários da Unitau (Universidade de Taubaté).
Início
A proposta da criação do Museu de História Natural de Taubaté começou há 19 anos, quando o médico e pesquisador Alvarenga, descobriu o esqueleto quase completo de uma ave fóssil batizada com o nome de Paraphysornis brasiliensis.
Segundo o pesquisador, a ave tinha mais de 2 m de altura, era carnívora e viveu no que é hoje o Vale do Paraíba há cerca de 23 milhões de anos. A ave também foi a "madrinha" do museu, ganhando uma versão animada com o apelido de Fisó. O mascote do museu foi criado pelo artista Marcos Sachs. O museu foi inaugurado em 2 de Julho de 2004.
O visitante do Museu de História Natural pode conhecer a história do planeta por meio da observação de fósseis. Já no hall de entrada, o público observa o período Proterozóico, com fósseis mais antigos. Em seguida, no período Paleozóico, vitrines exibem os primeiros invertebrados conhecidos, além dos primeiros répteis.
Já no período mesozóico, um modelo do mais antigo dinossauro conhecido, o brasileiro Stauricosaurus, decora a vitrine. Ao chegar no período Jurássico, visitantes podem ver o esqueleto de um Allosaurus com mais de 10 metros de comprimento. Há também crânios de dinossauros e T-rex, entre outros.
Serviço
Museu de História Natural de Taubaté
Rua Juvenal Dias de Carvalho, 111
Terça a domingo das 10h às 17h
Ingresso: R$ 6
Informações: (12) 3631-2928
www.museuhistorianatural.com
Redação Terra