Madagascar: descoberta palmeira gigante "suicida"

17 de janeiro de 2008 • 07h45 • atualizado às 08h21
A árvore gastou tanta energia na criação de flores que acabou morrendo
A árvore gastou tanta energia na criação de flores que acabou morrendo
17 de janeiro de 2008
AP

Jonny Hogg

Londres


Botânicos anunciaram a descoberta em Madagascar de uma espécie de palmeira gigante "suicida", que se autodestrói. A planta é tão grande que pode ser vista em fotos tiradas por satélite.

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A palmeira, que só existe em uma área remota no noroeste da ilha, não se assemelha a nada encontrado antes em Madagascar, que fica na costa sudeste da África.

Embora moradores de vilarejos conheçam a planta há vários anos, eles nunca a tinham visto produzir flores. Quando isso aconteceu no ano passado, os botânicos descobriram que a árvore gastou tanta energia na criação de flores que morreu.

'Espetacular'
Com 20 m de altura e folhas com 5 m de comprimento, esta é a árvore mais alta do tipo no país. Durante a maior parte de sua vida - estimada em cem anos - a planta não tem uma característica muito distinta, além de seu tamanho.

Só quando botânicos do Kew Gardens, de Londres, foram informados de seu padrão extraordinário de produzir flores é que começaram a se interessar pela vegetação.

"É espetacular", disse Mijoro Rakotoarinivo, que trabalha em Kew Gardens e viu a planta.

"Primeiro há apenas um longo caule como um aspargo no topo da árvore e, então, poucas semanas depois, este caule incomum começa a apodrecer", conta. "No final deste processo, você pode ver algo como uma árvore de Natal."

Lugar 'intrigante'

Os galhos então ficam cobertos de centenas de flores minúsculas, que contêm pólem e se transformam em frutas.

Mas a árvore gasta tanta energia ao produzir flores que acaba morrendo. John Dransfield, que anunciou a nova descoberta, está intrigado em saber como a árvore cresceu em Madagascar.

A planta da ilha na costa africana tem alguma semelhança com uma palmeira encontrada na Ásia, a uma distância de 6 mil km.

É possível que a palmeira, da qual existem menos de cem exemplares, tenha passado por uma notável evolução desde que Madagascar se separou da Índia, há cerca de 80 milhões de anos.

Espera-se agora que a planta seja conservada e que a venda de suas sementes possa produzir renda para o povo que vive nas suas proximidades.

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