Marcelo Pedroso
Direto de São José dos Campos
São Paulo
» SP: poluição aumenta raios em até 15%
O anúncio foi feito por pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de São José dos Campos (SP).
Segundo os pesquisadores, no Estado de São Paulo, por exemplo, o registro anual de 2 milhões de raios pode saltar para 3 milhões em 2008.
O estudo, que ainda não é caracterizado por um sistema de modelagem matemática, tem como principal objetivo alertar as empresas que desenvolvem atividades no setor de energia e ramos vinculados para o planejamento estratégico de suas ações.
Estudo do Elat realizado junto às empresas do setor elétrico, telecomunicações, seguro, equipamentos eletro-eletrônicos, construção civil e aviação, entre outras, concluiu que os raios causam prejuízos anuais da ordem de R$ 1 bilhão ao País.
Somente o setor elétrico amarga débitos de R$ 600 milhões, seguido pelas empresas de telecomunicação com cerca de R$ 100 milhões e as empresas seguradoras e de eletro-eletrônicos, com cerca de R$ 50 milhões cada.
Referência"Este estudo serve como referência para uma avaliação estratégica de uma empresa. Para o setor elétrico, por exemplo, isso é muito importante para a programação de suas ações de manutenção", disse o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior.
Segundo o coordenador, a estimativa de acerto do Elat para esta previsão está na casa dos 60%. "É a primeira vez que essa previsão de raios a médio prazo é feita no Brasil. Ainda não temos um modelo matemático que possa ser rodado no computador. São dados comparativos. Esperamos, de uma forma bem honesta, ficar entre 50% e 60% de acerto. Temos certeza que vamos precisar melhorar."
Em relação a previsões de curto prazo, com horas de antecedência, o Elat conta hoje com um percentual de 90% de acerto.
Pinto Júnior disse que os estudos dos pesquisadores foram balizados por uma análise comparativa da incidência de descargas atmosféricas no sudeste do Brasil entre os meses de setembro e dezembro de 1999 a 2007.
"Foram levados em conta três aspectos: o histórico das descargas elétricas nas primaveras anteriores, a avaliação da elevação da temperatura das águas no oceano, porque o período de La Niña favorece a ocorrência de raios, e a previsão meteorológica, que indica temperaturas um pouco acima da média histórica e chuvas dentro da média histórica."
Redação Terra