Colombo levou sífilis para a Europa, afirma estudo

15 de janeiro de 2008 • 13h31 • atualizado às 13h58

O navegador genovês Cristóvão Colombo foi responsável pela chegada da sífilis à Europa, diz um estudo. Durante séculos, a origem da doença tem sido motivo de polêmica entre cientistas.

Agora, um novo estudo publicado na revista científica Public Library of Science Neglected Tropical Diseases analisou a evolução genética da bactéria causadora da sífilis e, segundo seus autores, a sífilis teria, muito provavelmente, sido trazida da América pelo navegador.

Críticos dizem, porém, que o estudo não oferece resultados conclusivos.

Eles argumentam que é provável que a sífilis tenha emergido na Europa espontaneamente, possivelmente a partir de bactérias de espécies próximas, que já existiam no Velho Mundo muito antes das viagens de Colombo.

Histórico
A primeira epidemia de sífilis de que se tem registro na Europa se alastrou entre soldados franceses em 1495, dois dias após Colombo ter retornado de sua primeira viagem pelo Atlântico, provocando especulações de que a doença teria se originado na América.

Este tipo de sífilis - a espécie Treponema pallidum, da subspécie pallidum - é transmitida a partir de relações sexuais.

Segundo a teoria, as tropas, integradas em grande parte por mercenários, retornaram às suas casas e disseminaram a doença pela Europa. Mas há outras variedades de Treponema pallidum que são transmitidas pela pele e boca.

A pesquisadora Kristin Harper, da Emory University na Georgia, Estados Unidos, e sua equipe, examinou o DNA de 23 variedades nas três subspécies mais comuns de T. pallidum, incluindo os tipos transmitidos sexualmente e não sexualmente.

A partir desta análise, os cientistas construíram uma árvore genealógica mostrando como a bactéria sofreu mutações com a passagem do tempo.

Entre todas as variedades examinadas, as espécies causadoras da sífilis venérea revelaram-se as mais jovens, ou seja, surgiram mais recentemente, e estão mais fortemente relacionadas às espécies sul-americanas.

"Nossos resultados apóiam a 'teoria Colombo' da origem da sífilis e indicam que as subspécies não transmitidas sexualmente teriam emergido mais cedo no Velho Mundo", disseram os pesquisadores à revista PLoS Neglected Tropical Diseases.

Entretanto, a antropóloga Connie Mulligan, da Universidade da Flórida, e colegas da Universidade do Texas e da Universidade de Washington disseram que os resultados não são confiáveis o suficiente para permitir conclusões.

Segundo estes pesquisadores, as revelações na verdade contrariam a teoria Colombo.

Por exemplo, a equipe de Harper verificou um alto índice de mutações no DNA de uma bactéria que historicamente se caracteriza por poucas alterações genéticas.

Os críticos dizem que Harper não deveria tirar conclusões definitivas a partir de algumas mutações verificadas em duas amostras.

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