Segundo o professor Juliano Guerreiro, pesquisador do Butantan, o estudo identificou uma molécula capaz de atuar diretamente nas artérias, mantendo os vasos sanguíneos relaxados e, assim, controlando a pressão.
Essa molécula, integrante de uma classe de moléculas chamadas de peptídeos (proteínas formadas pela união entre dois ou mais aminoácidos), é isolada do veneno da jararaca, promovendo a diminuição da pressão no momento em que ela está elevada.
"As drogas usadas atualmente são desenvolvidas para um hipertenso comum. Agora estamos desenvolvendo um novo medicamento que leva em consideração todas as peculiaridades do organismo de uma mulher grávida", informou. Testes realizados com animais, que acabam de ser concluídos, comprovaram a eficácia da nova substância.
Perigo na gravidez
Cerca de 3,2 milhões de mulheres ficam grávidas por ano no Brasil. O Conselho Brasileiro de Cardiopatia e Gravidez informou que 10% dessas gestantes apresentam hipertensão, que é responsável por cerca de 30% dos óbitos maternos. Ou seja, cerca de 320 mil mulheres por ano seriam usuárias diretas desse medicamento.
Além da pressão arterial alta, a pré-eclâmpsia se caracteriza por retenção de líquidos e a presença de proteína na urina, podendo evoluir para um quadro de convulsão e coma. A hipertensão precisa ser diagnosticada e tratada de forma rápida, já que pode restringir de maneira severa o fluxo de sangue para a placenta, prejudicando perigosamente o feto.
Redação Terra