Tratador do zoológico de Nuremberg alimenta a filhote de urso polar |
David Crossland
Alemanha

A ursinha polar de um mês de idade que está sendo alimentada a mamadeira no zoológico de Nuremberg tem um apetite saudável e não mostra sinais de ferimentos, depois do sofrimento por que passou na terça-feira, quando sua mãe Vera a carregou nervosamente por sua área e a deixou cair diversas vezes sobre as pedras.
Depois de certa confusão inicial e de verificações repetidas, o zoológico anunciou na quarta-feira que "Knut 2" é na verdade menina, e não receberá um nome por ainda alguns dias.
Nuremberg decidiu que o ursinho será criado por seres humanos com o objetivo de evitar uma terceira morte, depois que dois filhotes de outra ursa polar morreram esta semana, gerando inúmeras críticas.
Dag Encke, o diretor do zoológico, disse a Der Spiegel que a instituição pediu ajuda ao zoológico de Berlim, onde o célebre filhote Knut foi amamentado com mamadeira, no ano passado, para descobrir a melhor mistura de alimentação. "Ela parece em ótima forma até agora, está bebendo bem e não existem sinais externos de ferimentos", acrescentou Encke. "Se houvesse lesões internas, ela estaria adoentada. Não demos um nome ao filhote ainda e provavelmente não o faremos por mais alguns dias. Somos um pouco supersticiosos quanto a isso, e só gostamos de dar nome aos animais depois de estarmos certos que ficarão bem".
A filhote está sendo mantida aquecida por uma lâmpada aquecedora, pesa 1,7 kg e vem sendo alimentada a cada quatro horas com uma mamadeira preparada com leite em pó. Encke confirmou que Vilma, outra ursa polar do zoológico de Nuremberg, havia de fato comido seus dois filhotes, "incluindo os ossos", e que não restavam traços deles.
O zoológico sofreu críticas ferozes da imprensa e de alguns especialistas em preservação de espécies depois que a morte dos dois filhotes foi divulgada, na segunda-feira. A filhote de Vera é a única sobrevivente, na instituição.
Na semana passada, o zoológico havia anunciado que manteria uma política de estrito distanciamento, e que estava preparado para aceitar a morte dos filhotes a fim de não interferir com sua criação. A prioridade era dar às ursas polares uma oportunidade de treinar para a criação de filhotes. "Se algo sair errado, saiu", disse Helmut Mägdrefau, vice-diretor da instituição, a Der Spiegel, na sexta-feira.
Encke defendeu essa decisão na quarta-feira e disse que a instituição aderiu de forma rigorosa às normas internacionais para o tratamento de ursos polares. Ele acredita que a instituição tenha sido mal compreendida. "Não queremos que as pessoas considerem que a criação por seres humanos é a norma", disse Encke. "Isso deveria servir como último recurso caso nada mais funcione".
Na terça-feira, o comportamento de Vera se tornou tão errático que o zoológico decidiu intervir. Ela começou a levar o bebê de um lado para outro, usando o focinho, e vê-la derrubar a filhote repetidas vezes foi doloroso.
Encke disse que Vera se sentiu muito perturbada depois que os tratadores baixaram um portão que a separou da filhote. "Ela estava terrivelmente inquieta na tarde de ontem por não conseguir chegar à filhote, cujo choro ela estava ouvindo. Mas agora se acalmou".
Der Spiegel