Pesquisadores extraíram uma simples célula do embrião obtido em clínicas de fertilização in vitro, segundo o procedimento utilizado para realizar testes de detecção de defeitos genéticos.
Uma vez extraída a célula, inseriram uma simples molécula, denominada laminina, de maneira que esta preserve a pluripotência que caracteriza as células-tronco embrionárias.
Estas células têm a capacidade de se converter em qualquer tecido do organismo e oferecem por isso a esperança de cura para várias doenças atualmente incuráveis, além da possibilidade de reparar órgãos destruídos por um câncer ou um acidente.
O embrião que passou por este procedimento não foi afetado e pôde se desenvolver normalmente.
Este novo procedimento pode dar fim ao debate sobre a questão moral da utilização de embriões humanos para a pesquisa médica que, segundo as técnicas atuais, são destruídos no processo de extração de células-tronco.
A polêmica gerada em torno destas pesquisas reside no fato de que, com as técnicas atuais, os embriões são destruídos no processo de extração de células-tronco. Duas equipes de cientistas superaram recentemente este problema ao conseguirem transformar células de pele humanas em células-tronco.
As células de pele devem se tornar na fonte mais comum de células-tronco, afirmou o pesquisador australiano Alan Trounson, que lidera o maior projeto mundial de pesquisa de células-tronco, no Instituto de Medicina Regenerativa da Califórnia.
As células da pele, contudo, ainda não estão prontas para um uso clínico porque o processo de transformação introduz alterações genéticas e vírus potencialmente mortíferos. Isso significa que as células-tronco embrionárias, que não possuem o mesmo risco de mutação, são atualmente a única opção para aplicações terapêuticas, afirmou Trounson.
"Também vai haver muita gente interessada nas células-tronco embrionárias porque são de qualidade de ouro", disse, explicando que as células-tronco derivadas da pele ainda não foram completamente estudadas.
O cientista pioneiro em células-tronco, Robert Lanza, conta que a nova técnica que ajudou a desenvolver para preservar o embrião, incentivará as autoridades americanas a liberarem fundos para investigar novas linhas de células-tronco embrionárias.
O presidente americano George W. Bush proibiu em 2001, em nome da proteção da vida desde a concepção, o uso de verbas federais em pesquisas com novas séries de células-tronco embrionárias humanas. Em outros países a pesquisa com células-tronco foi proibida por preocupações éticas.
"Nos próximos meses, poderíamos fazer tantas células destas quanto quiséssemos", disse Lanza, pesquisador da Advanced Cell Technology. "Elas são utilizáveis (as células-tronco derivadas da pele). Não estão geneticamente modificadas. Estão aqui", destacou.
Um dos principais opositores à pesquisa com células-tronco, no entanto, estimou que o método de Lanza - "apesar de moralmente plausível" - "ainda não traz uma solução ética". "Qualquer procedimento que ponha em risco a saúde e a vida de um embrião humano para propósitos que não beneficiem diretamente ao embrião é moralmente inaceitável", opinou o pastor Tadeusz Pacholczyk, diretor da educação do National Catholic Bioethics Center.
Com agências internacionais
Redação Terra