Aids já matou 3 milhões de pessoas este ano

25 de novembro de 2003 • 12h00 • atualizado às 12h00

A epidemia de aids já matou este ano mais de 3 milhões de pessoas no mundo todo, ao passo que 5 milhões de novas infecções elevaram para 40 milhões o número de infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Estes são dados do último relatório sobre a aids no mundo, publicado hoje pelo programa conjunto das Nações Unidas sobre o HIV e a aids, o Unaids, segundo o qual a epidemia continua crescendo na África Subsaariana e se alastrando em outros países.

Entre estas nações, o documento cita China, Indonésia, Papua Nova Guiné, algumas repúblicas da Ásia central, os Países Bálticos e Magrebe, ao passo que coloca o Vietnã como exemplo de como uma epidemia pode surgir repentinamente num país onde existem altos níveis de consumo de drogas injetáveis. Segundo estatísticas oficiais, 65% das infecções no Vietnã ocorrem entre usuários de droga que compartilham seringas. Além disso, foram detectadas taxas de contaminação pelo vírus de 24% entre "profissionais do sexo" na cidade de Ho Chi Minh e de 15% entre os de Hanói.

Na China, entre 35 e 80% dos usuários de drogas injetáveis de Xinjiang e 20% dos de Guangdong são soropositivos. A baixa incidência de Aids na China - em torno de 0,1% entre a população adulta - oculta o fato de que em diversas regiões e províncias estão em curso epidemias graves e concentradas e de que o número de casos disparou nos últimos tempos.

A Ásia oriental e o Pacífico continuam, apesar de tudo, com uma incidência entre adultos de 0,1%, inferior as de 0,5 a 0,7% na América Latina e do Norte, de 0,3% na Europa Ocidental, de até 0,9% na Europa Oriental e na Ásia Central, de 1,9 a 3,1% no Caribe e de até 8,5% na África Subsaariana. Esta última região é a que tem o maior número de adultos e crianças contaminadas - entre 25 e 28 milhões -, ficando à frente de Ásia Meridional e Sudeste asiático - entre 4,6 e 8,2 milhões -, América Latina - 1,9 milhão -, Ásia Oriental e Pacífico - até 1,3 milhão - e Europa Oriental e Ásia Central - cerca de 1,2 milhão.

Na África Subsaariana, onde no ano passado foram registradas 3,2 milhões de novas infecções e 2,3 milhões de mortes em conseqüência da doença, as mulheres jovens têm 2,5 vezes mais chances de contrair a doença que os homens. Em Botsuana, Suazilândia, Lesoto e Namíbia, a epidemia alcançou "proporções devastadoras": quase 39 por cento de incidência nos dois primeiros países, ao passo que em Lesoto e na Namíbia, a contaminação entre as mulheres que chegam aos dispensários pré-natais é de 30 por cento e mais de 23 por cento, respectivamente.

Entre os países surgidos da extinção da URSS, a Federação Russa, a Ucrânia e os Bálticos - Estônia, Letônia e Lituânia - são os mais castigados pela epidemia, que continua se propagando na Bielorrússia, na Moldávia e no Cazaquistão e que agora se estende para o Quirguistão e o Uzbequistão. O número de soropositivos adultos na Rússia chega, segundo alguns cálculos, a 1,5 milhão. De acordo com uma pesquisa recente, menos da metade dos adolescentes utiliza preservativos quando tem relações sexuais com parceiros ocasionais, ao passo que, entre as prostitutas, o uso sistemático também não chega a 50%.

Além disso, pode haver até 3 milhões de usuários de drogas injetáveis na Rússia, mais de 600 mil na Ucrânia e até 200 mil no Cazaquistão, a maioria muito jovens. Na América Latina e no Caribe, os soropositivos são mais de 2 milhões, dos quais 200 mil contraíram a doença no ano passado. As epidemias mais graves são no Haiti, que tem uma incidência de 5 a 6%, e na República Dominicana, onde os esforços de prevenção estabilizaram a contaminação entre a população jovem da capital.

Nos EUA, cerca de metade das quase 40 mil novas infecções anuais são registradas entre afro-americanos. As mulheres deste grupo étnico costumam se infectar quando mantêm relações sexuais não protegidas com seus parceiros masculinos, que normalmente têm um comportamento bissexual. A aids é a principal causa de morte entre os afro-americanas com idades que variam de 25 a 34 anos.

As relações sexuais entre homens continuam sendo um importante fator de epidemia nos países ricos - 42% e 86% dos novos diagnósticos nos Estados Unidos e na Austrália respectivamente. Além disso, a reaparição de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) revelam um retorno a comportamentos de alto risco.

Em seu relatório, o Unaids destaca que, apesar dos esforços realizados nos países com maior incidência, a cobertura do tratamento anti-retroviral continua sendo ínfima na África Subsaariana, razão pela qual é preciso aumentar radicalmente os recursos e o compromisso político e assegurar que o acesso ao tratamento beneficie também os pobres e as mulheres.
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