Isidre Ambrós
Espanha
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O pobre Knut mal poderia imaginar, enquanto devorava com gosto seu bolo de aniversário, posando para as câmeras dos visitantes, que os humanos que dirigem o zoológico em que vive estavam discutindo sobre ele, seu futuro e sua proteção contra a mídia. A fama do urso acabou gerando um conflito entre o diretor do zoológico de Berlim, Bernard Blaskiewitz, e seu diretor financeiro, Gerald Uhlich. A crise irrompeu na semana mesma do aniversário de Knut, quando o conselho de administração do zoológico decidiu que não renovaria o contrato de Uhlich. As teses conservacionistas defendidas por Blaskiewitz parecem ter triunfado sobre as idéias empresariais de Uhlich, 51.
O diretor financeiro demitido, experiente em postos de gestão nos setores metalúrgico e metal e têxtil, havia sido contratado há três anos e meio pela direção do zoológico, com a tarefa de reorganizar as finanças da instituição. Quando nasceu o ursinho Knut, Uhlich viu no filhote um filão a explorar, e não hesitou em aproveitar o apelo popular do animal para convertê-lo em símbolo de conscientização ecológica - além de em máquina muito bem lubrificada de geração de receitas. Knut tem não só uma página na Web como uma linha de camisetas, gorros, bonecos, brinquedos, cartazes e muitos outros produtos que portam seu nome e imagem, com o lema Respect Habitat Knut. Graças ao filhote, a renda do zoológico começou a crescer muito.
Em 5 de dezembro, o zoológico de Berlim divulgou um comunicado no qual informava que o número de visitantes recebidos havia aumentado em 20% nos 12 meses anteriores, por obra do urso. A arrecadação se aproximou dos 10 milhões de euros, e ao que parece o ano de 2007 será fechado com lucro. Mas a exploração comercial de Knut estava sendo motivo de crítica, e não só dos ecologistas, - na opinião dos quais o tratamento recebido pelo urso polar mais popular do mundo é prejudicial ao animal, porque fez dele um brinquedo vivo -, mas também da direção do zoológico.
O dirigente mais alto da instituição, Bernard Blaskiewitz, se opunha à idéia de fazer do zoológico um parque temático, com uma estrela chamada Knut servindo como atração central. Na opinião dele, o zoológico deveria ser um local de passeio, descanso, formação de estudantes que vão ver os animais, pesquisa e proteção da natureza.
Todas essas idéias estavam em confronto com a filosofia empresarial de Uhlich, partidário da idéia de que o zoológico seja uma empresa que explore ao máximo seus recurso e obtenha lucros. Por fim, a administração decidiu que a única solução seria demitir o diretor financeiro, mas o debate sobre a questão terminou chegando aos jornais, alguns dos quais opinam que, sem os recursos gerados por Knut, o zoológico não terá como ser o idílico local de repouso desejado pelos ecologistas e pelos defensores da conservação.
Tradução: Paulo Migliacci ME
La Vanguardia