Nasa confirma plano de missão lunar até 2020

15 de dezembro de 2007 • 17h38 • atualizado em 16 de janeiro de 2009 às 17h52

Brian Handwerk

Estados Unidos


Funcionários da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) dos Estados Unidos anunciaram que os planos da organização para realizar novas missões tripuladas à Lua até 2020 e estabelecer uma base para a exploração do satélite e outras missões espaciais estão no prazo.

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"Nossa tarefa é construir cidades na Lua e, no futuro, colocar pegadas humanas ao lado das marcas dos pneus dos veículos automáticos de exploração, em Marte", disse Rick Gilbrech, da diretoria de sistemas de exploração da Nasa, a jornalistas, em teleconferência.

Como parte do Programa Constelação, da Nasa, um protótipo da primeira "aldeia lunar", cujos equipamentos serão acionados por energia solar, já está em construção na Estação McMurdo, a base de exploração antártica dos Estados Unidos, informaram especialistas.

Abrigos infláveis que serão usados pelos astronautas como moradia e locais de trabalho serão testados em condições climáticas e de isolamento extremas, na porção mais meridional do planeta, durante 13 meses, a partir de janeiro de 2008.

As estruturas, que se assemelham aos pula-pulas infláveis instalados em parques de diversões, têm peso leve, são duráveis e é fácil erigi-las e desmontá-las, o que permite que sejam transferidas com facilidade de posição a posição.

A estação lunar americana vem sendo descrita como uma plataforma essencial para novos programas de exploração espacial. "Alguém certamente irá a Marte um dia", diz Carl Walz, astronauta veterano e agora diretor de sistemas de capacidade avançada na divisão de sistemas de exploração da Nasa.

"Se estudarmos o projeto Apollo, constataremos que foi precedido pelos programas Mercury e Gemini (com os quais a Nasa desenvolveu técnicas essenciais ao vôo espacial tripulado). Eles representaram uma ampliação gradual das capacidades da organização".

"No caso da futura missão a Marte, a Estação Espacial Internacional desempenha o mesmo papel que o programa Mercury", disse Walz. "A base lunar tripulada seria o equivalente do Gemini. E, evidentemente, chegar a Marte seria o equivalente do programa Apollo, para a geração atual".

Missões robotizadas

Para conduzir os preparativos básicos da base lunar, a Nasa planeja enviar uma nova espaçonave robotizada para conduzir exploração detalhada da Lua. O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) deve ser lançado em 28 de outubro de 2008.

O aparelho terá por missão mapear a superfície lunar de uma altitude de cerca de 50 km, em busca de pontos de aterrissagem propícios e de lugares adequados à construção de uma base, bem como de recursos valiosos, tais como água em forma de gelo e diversos minerais. O LRO também estudará de que maneira a radiação espacial influenciaria os astronautas que passarão muito mais tempo na Lua do que os visitantes anteriores do satélite.

Além disso, um segundo veículo de exploração, que será lançado em companhia do LRO, vai colidir com a Lua. Trata-se do Satélite Sensor e de Observação de Crateras Lunares (LCROSS), cuja missão no choque com o satélite é levantar duas imensas nuvens de detritos que ajudarão na busca por água em forma de gelo na superfície lunar.

O impacto do LCROSS provavelmente acontecerá no começo de 2009, e as nuvens de detritos que ele causará devem ser visíveis da Terra para telescópios e outros instrumentos de observação. Walz afirma que o evento deve produzir "uma espécie de espetáculo pirotécnico para a posse" do novo presidente americano - o que talvez influencie a concessão de verbas federais ao Programa Constelação, que muitos analistas consideram controverso.

No momento, o custo completo da missão lunar está estimado em US$ 104 bilhões (o que inclui a construção da base).

Ônibus espacial de próxima geração

Parte desse custo se refere ao desenvolvimento de uma nova espaçonave conhecida como Orion, cujo objetivo seria transportar pessoas à superfície da Lua. O novo aparelho terá mais semelhança com as cápsulas lunares do programa Apollo do que com o ônibus espacial, e os cientistas ainda não determinaram de que maneira o aparelho fará seu pouso ao retornar à terra.

A expectativa é que os vôos de retorno das primeiras missões Orion se assemelhem às amerissagens das espaçonaves do programa Apollo, o que permitiria que as equipes de controle de missão testassem plenamente os sistemas de navegação e ao mesmo tempo mantivessem a segurança das tripulações.

"As conseqüências de uma aterrissagem em local imprevisto poderiam ser desastrosas, caso isso aconteça no oeste dos Estados Unidos", disse Jeff Hanley, o diretor do Programa Constelação. Mas também está planejado que a Orion tenha a capacidade de realizar aterrissagens seguras em terra firme.

Tradução: Paulo Migliacci ME

National Geographic
 
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