Christiane Galus
França
Foram esses os resultados de uma série de pesquisas conduzidas entre 2001 e 2005 como parte do programa europeu Carbosol. As conclusões do trabalho serão publicadas pelo Journal of Physical Research em sua edição de 15 de dezembro.
O programa Carbosol, coordenado pelo francês Michel Legrand, do Laboratório de Glaciologia, Geofísica e Meio Ambiente (LGGE), de Grenoble, e realizado com verbas fornecidas pelo Instituto Nacional de Ciências do Universo e do Conselho Nacional de Pesquisa Científica da França, tinha por objetivo estudar a presença atmosférica de aerossóis carbonizados de origem vegetal na Europa, e comparar seu volume ao da poluição provocada pela combustão de fontes de energia fósseis (nos meios de transporte, geração de energia e aquecimento), vista como preponderante.
Os dados recolhidos pelo programa Carbosol confirmaram os resultados de dois outros estudos conduzidos em ambientes urbanos. Um deles, conduzido em 2004 em Zurique (Suíça), demonstrou que a combustão de biomassa responde por pelo menos 40% da produção de partículas carbonizadas. O segundo, conduzido pelo Instituto Nacional do Ambiente Industrial e de Riscos (Ineris), da França, e outras organizações, em Paris, Lille, Estrasburgo e Grenoble, este ano, por solicitação do Ministério do Meio Ambiente francês, obteve resultados bastante semelhantes.
Para efetuar o estudo, os pesquisadores europeus do programa Carbosol trabalharam em locais diferentes, entre os quais os observatórios de Puy de Dôme, a 1,4 mil metros de altitude, e do Mont Blanc, a 4,3 mil metros. Os métodos de aferição utilizados foram dois: a presença de carbono 14, um isótopo radiativo do carbono que se desintegra rapidamente, e o lovoglusan, um açúcar produzido pela combustão da celulose. Este último indicador se revelou um excelente marcador químico, permitindo estimar sem ambigüidade as emissões geradas pela combustão de biomassa.
Os fogos domésticos e agrícolas são altamente poluentes porque, até o momento, "não foi realizado esforço algum para controlá-los, ao contrário do que acontece quanto à combustão das fontes de energia fósseis utilizadas pelo setor automotivo ou industrial, que estão sujeitas a regulamentação", explica Florent Domine, pesquisador do LGGE.
Para controlar essa poluição de origem doméstica e agrícola, que engendra problemas respiratórios e cânceres pulmonares, seria preciso reduzir ou proibir esse tipo de fogo. Medidas nesse sentido já foram adotadas na Suíça e na Alemanha para as queimadas agrícolas e em outros países para o uso de lareiras.
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
Le Monde