Escolha de países com verba para aids é criticada

Mariana Timóteo da Costa

Estados Unidos


Além do temor de que os US$ 15 bilhões oferecidos pelos Estados Unidos para combater a aids na África e no Caribe vá para campanhas ultraconservadoras, a iniciativa de Bush está recebendo críticas por outros dois fatores.

O primeiro deles é a escolha dos 14 países para receber a ajuda: Zimbábue e Angola, por exemplo, ficaram de fora. Costa do Marfim receberá o dinheiro, mas não sofre tanto com a aids como, por exemplo, a República Dominicana. O país caribenho, juntamente com o Haiti, possui 80% dos casos de aids no Caribe e não faz parte do programa de Bush.

Outra crítica é que, por enquanto, o governo americano só falou em doar US$ 1 bilhão para o Fundo Global de Combate a aids, Tuberculose e Malária, criado há dois anos pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Sem verba
Segundo especialistas, o fundo é o órgão que mais possui condições de realizar campanhas de combate à aids. Um dos que se apressaram para criticar a falta de ajuda ao fundo, que atualmente vive uma escassez de recursos, foi o economista Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

"Se o dinheiro americano vai para alguma coisa, é preciso que ele esteja sob o controle americano", disse Sachs. Sachs argumenta que são precisos cerca de US$ 10 bilhões por ano para combater a Aids no mundo.

Angola
O fato de especialmente Angola ter ficado de fora do pacote de ajuda americana também foi lembrado. A ONG Aids Action disse que a exclusão de Angola, e também do Zimbábue, do programa pode prejudicar a luta contra a Aids como um todo - já que a população africana circula muito de um país para o outro.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Lee Jong-Wook, disse recentemente que o fato de Angola ter vivido durante anos em guerra civil - o que conteve a epidemia do HIV - torna o país um bom local para se investir em campanhas de prevenção à Aids.

"O fim da guerra civil está fazendo com que a população se desloque mais, o que facilita a contaminação pelo HIV. Dependendo do que for feito em Angola, o país pode se tornar uma Uganda (onde a epidemia está mais controlada) ou vivenciar uma explosão de casos no futuro", disse o diretor da OMS.

O venezuelano Alberto Stella, coordenador da Unaids (ONUSida) em Angola, disse que os Estados Unidos levaram em conta a ainda considerada baixa prevalência do HIV em Angola.

"Isso não quer dizer que a situação em Angola é tranqüila. Precisamos investir em infraestruturas de combate à Aids o mais rapidamente possível. O Banco Mundial vem fazendo visitas ao país, para avaliar a capacidade técnica de Angola para absorver recursos externos. Isso pode acelerar o recebimento de doações internacionais", diz Stella.

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