Brasil rejeita metas de emissões de CO2

28 de novembro de 2007 • 16h38 • atualizado às 19h06

O Brasil reiterou na quarta-feira sua oposição a metas compulsórias de redução das emissões de carbono nos países em desenvolvimento, assunto que estará em debate a partir da conferência climática de dezembro em Bali, na Indonésia.

Um relatório divulgado na terça-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou que os países em desenvolvimento cortem suas emissões de carbono em pelo menos 20% até 2050. Os países ricos teriam de cortar suas emissões em 80% no mesmo período. "Não somos a favor de metas", disse Sérgio Serra, Embaixador Extraordinário para mudanças climáticas do Itamaraty, durante entrevista coletiva em Brasília.

A ONU realiza de 3 a 14 de dezembro em Bali uma conferência destinada a lançar negociações sobre um tratado climático internacional que suceda ao Protocolo de Kyoto a partir de 2012. O Brasil é uma potência emergente no comércio mundial e está conquistando influência nas questões climáticas devido ao pioneiro programa de biocombustíveis e à preocupação global em preservar a Amazônia.

"A principal responsabilidade é dos países industrializados", disse Everton Vargas, subsecretário de Assuntos Políticos do Itamaraty. "Nossa oferta é adotar políticas verificáveis em nível nacional para combater a mudança climática - temos nossas próprias metas", acrescentou Vargas. Analistas dizem que a unidade demonstrada por Brasil e grandes países em desenvolvimento não se repete nas questões climáticas.

A China, que também resiste a metas compulsórias contra o carbono, assim como Washington, deve ultrapassar em breve os Estados Unidos como maior emissor mundial de gases do efeito estufa. Apesar do uso de fontes energéticas "limpas" - como o álcool combustível e a energia hidrelétrica -, o Brasil é um grande emissor de carbono, em grande parte por causa da devastação da Amazônia.

O governo brasileiro defenderá na conferência de Bali que os países ricos paguem para que os pobres se adaptem às mudanças climáticas, e fará uma campanha também por transferência de tecnologias sustentáveis para países dependentes energeticamente do carvão, como China e Moçambique.

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