Os eletrodos registraram impulsos nas áreas do cérebro envolvidas na comunicação verbal. Agora, os cientistas devem usar os sinais gerados para criar um software que traduz os pensamentos em sons. Apesar de os dados ainda estarem sendo analisados, os pesquisadores acreditam que poderão identificar corretamente os sons que o cérebro de Ramsay estaria formulando, em 80% dos casos.
"Esperamos que este estudo abra um novo caminho para descobertas", disse Joe Wright, da Neural Signals, que ajudou a desenvolver a tecnologia utilizada. "Temos a esperança de levar o paciente a um nível de conversação, mas ainda estamos bem longe disso", admite.
'Emocionante'Especialistas em neurociência concordam que a experiência é um avanço emocionante. "Os resultados obtidos nos Estados Unidos não saíram completamente do nada", disse Geraint Rees, neurocientista da University College London (UCL).
"Já vínhamos avançando no sentido de decodificar o vocabulário primitivo. Mas este é certamente um capítulo interessante." Rees, no entanto, critica o uso de eletrodos dentro do cérebro. "Essas técnicas invasivas, em que algo está introduzido no cérebro, sempre trazem riscos", afirmou.
Para os especialistas, a leitura do pensamento ainda está longe de ser alcançada. "Existe uma grande diferença entre uma técnica como esta, que pega os sinais que o paciente deseja que sejam pegos, e ser capaz de entrar na mente de uma pessoa", explicou John Dylan Haynes, do Instituto Max Planck para Ciências Cognitivas e do Cérebro, localizado em Leipzig, na Alemanha.
"É muito emocionante estarmos começando a conseguir traduzir alguns pensamentos simples, mas ainda estamos longe de ter uma máquina capaz de ler pensamentos."
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