Análise de gene ajuda a tratar câncer de pulmão

09 de novembro de 2007 • 11h32 • atualizado às 11h32

Marta Ricart

São Paulo


O câncer de pulmão é um dos tipos mais freqüentes da doença, e um dos mais difíceis de curar. Um estudo liderado pelo oncologista Rafael Rosell permitirá melhorar o tratamento desse tipo de câncer, pois já ficou comprovado que um gene pode indicar risco de recaída depois que o tumor for extirpado, o que beneficiaria os pacientes que resistem às formas atuais de quimioterapia e poderiam se beneficiar de um tratamento distinto.

Apesar de todos os avanços da medicina, nos casos de câncer de pulmão o que o tratamento oferece é apenas uma sobrevivência mais longa. Na metade dos pacientes, o diagnóstico é tardio demais para permitir que o tumor seja extirpado cirurgicamente. Em outros, os tumores são extensos demais e é difícil tratá-los. E, em entre 20% e 25% dos caso, os tumores são detectados em estágio que permite operação e erradicação. Deste último grupo de enfermos, cerca de metade se cura com a operação, enquanto os restantes passam por recaída. Em muitos dos casos em questão, nem a quimioterapia nem a remoção do tumor aumentam as possibilidades de evitar uma recaída.

Rosell, diretor do centro do Instituto Catalão de Oncologia no Hospital German Trias i Pujol, em Badalona, e um dos principais pesquisadores espanhóis do câncer pulmonar, estudou - com pesquisadores espanhóis, poloneses e italianos, e usando uma amostra de 184 pacientes -, genes que recentemente foram vinculados ao câncer. O resultado da pesquisa, publicado pela Plos One, uma revista científica online, aponta que, em especial, o gene BRCA1 (já anteriormente vinculado a questões de diagnóstico de diversos tumores) serve como bom indicador para o risco de recaída de um paciente de câncer de pulmão. Nos tumores em que esse gene sofre estímulo excessivo, o prazo de sobrevivência é mais curto (a possibilidade de recaída é maior), o que implica em que os pacientes precisarão de terapia depois da cirurgia de remoção, afirmou Rosell.

Além disso, se pode constatar que os enfermos com excesso de estímulo do BRCA1 são menos sensíveis à quimioterapia mais usada depois das cirurgias com o objetivo de prevenir recaídas. Essa forma de terapia usa remédios derivados da platina (especialmente um produto conhecido como cisplatina). Os pesquisadores acreditam que o uso do BRCA1 como indicador resultará em terapia mais eficaz com outros produtos farmacêuticos, como os antimicrobianos (a exemplo do docetaxol). "Para esses pacientes, é preciso mudar a terapia que hoje é habitual", afirmou Rosell.

Na Espanha, são diagnosticados entre 10 mil e 15 mil casos anuais de câncer do pulmão. De três mil a cinco mil desses pacientes poderiam ser beneficiados por exames moleculares de análise do BRCA1, capazes de apontar com bastante confiabilidade o risco de recaída, o que orienta o uso da quimioterapia da maneira mais eficaz para evitar o desenvolvimento de um novo tumor, diz Rosell. No German Trias e no Grupo Espanhol de Câncer do Pulmão, os oncologistas já estão analisando os genes de alguns pacientes. Rosell enfatizou as vantagens de estender esses exames a todas as pessoas que passarem por cirurgias para extirpar tumores de pulmão ¿o German Trias adotará essa prática, e o Grupo Espanhol de Câncer do Pulmão estimulará os demais hospitais a fazê-lo.

La Vanguardia
 
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