Japonês cria máquina do riso para estudar o humor

25 de outubro de 2007 • 10h32 • atualizado às 13h11

Um professor japonês que estuda o humor inventou a "máquina do riso", que, segundo ele, poderá detectar a graça que uma piada provoca numa pessoa até mesmo no caso de ela não rir ou dar falsas gargalhadas.

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O pai da invenção, Yoji Kimura, professor de sociologia da Universidade de Kansai (centro do Japão), usará a máquina num estudo sobre o humor japonês, um mercado milionário e difícil de ser pesquisado por causa da contenção característica dos japoneses.

Kimura, que preside a Sociedade Japonesa para os Estudos do Riso e do Humor, afirmou que apresentará a invenção ao público japonês em fevereiro e à comunidade internacional em julho de 2008.

Apesar das teorias de Kimura parecerem estranhas - entre elas a de que o humor japonês tem uma versão para negócios e outra para festas - esta indústria movimenta muito dinheiro no Japão e conta com empresas especializadas, como a Yoshimoto Kogyo, que é cotada na Bolsa de Osaka.

A excepcionalidade, que faz com que os ocidentais vejam o Japão como um país excêntrico, também se manifesta no humor. Segundo Kimura, os japoneses expressam o seu humor de forma "generosa". O professor afirma que o discurso zen e a cerimônia do chá escondem manifestações humorísticas apesar da aparente seriedade.

Longe de ser uniforme, a visão e a capacidade para o humor dos japoneses variam de acordo com a região estudada. Tanto o professor Kimura como o saber popular japonês afirmam que os moradores de Tóquio riem menos que os habitantes de Osaka, onde muitos humoristas japoneses nascem.

As rígidas regras de etiqueta que imperam no Japão são mais flexíveis em Osaka e permitem que os habitantes desta localidade brinquem uns com os outros mais freqüentemente. Segundo Kimura, Osaka é uma fonte de humor que depois se dirige para o restante do país.

Aparentemente, o fenômeno do humor está em pleno processo de evolução no Japão. O criador da "máquina do riso" afirma que os jovens tendem a viver o dia e a buscar o riso para se esquecerem da solidão. Para entender e aplicar melhor os novos caminhos do riso e o que ele provoca, Kimura apresentará em breve a sua invenção.

Apesar de não querer revelar os detalhes da máquina para proteger a patente, ele disse que se concentrará nas reações de uma parte do corpo da pessoa estudada.

No Japão, as conclusões tiradas do estudo do humor serão aplicadas a todos os tipos de indústria, como as de máquinas fotográficas que disparam automaticamente, reagindo ao sorriso das pessoas, ou a dos livros que ensinam empresários a sorrir para melhorar o desempenho durante as negociações.

Mas, além de servir para empresas e serviços de saúde entenderem os benefícios do humor, a nova máquina ajudará os analistas na teoria do riso. A Universidade de Kansai oferece uma disciplina dada por Kimura, financiada pela empresa Yoshimoto Kogyo. Cerca de 1,5 mil pessoas cursam esta matéria.

A empresa, que contrata humoristas e outros tipos de criadores, também colabora no curso que, além de estudar os mecanismos do riso, apresentará a história do humor.

Com a "máquina do riso" Kimura entra no notável clube de inventores originais japoneses. Fazem parte do grupo Yoshiro Nakamatsu, criador do disquete, e Hideto Tomabechi, inventor de um toque de telefone celular que aumenta o volume dos seios das mulheres que o escutam.

Nakamatsu, mais conhecido como o Dr. Nakamats, também prometeu apresentar à Prefeitura de Tóquio um escudo antimísseis.

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