Hormônios apontam diferenças entre homem e mulher

22 de outubro de 2007 • 16h44 • atualizado às 17h38

As diferenças no comportamento de homens e mulheres costumam ser atribuídas aos hormônios sexuais específicos, mas um estudo publicado na revista científica britânica Nature mostra que os genes também têm muito a ver com isso.

Experimentos com ratos na Universidade de Yale, nos EUA, revelaram que os cromossomos sexuais bastam para determinar, por exemplo, que as mulheres sejam mais propensas a desenvolver hábitos do que os homens. Os resultados da pesquisa, divulgados no domingo, têm importantes implicações na compreensão das origens dos vícios e podem levar a tratamentos que identifiquem os genes envolvidos.

"Esta é a primeira vez que uma conduta é associada especificamente com cromossomos sexuais independentes de hormônios gonadais", disse a principal pesquisadora desse estudo, Jennifer Quinn. Há tempos que os cientistas observam que os mamíferos fêmeas, tanto os quadrúpedes como os humanos, são mais propensos do que os machos ao comportamento que gera hábitos, entre os quais estão incluídos os vícios. Os hormônios sexuais específicos regulados por órgãos gonadais explicam em parte essa diferença, mas não completamente.

Para saber se os genes também desempenham um papel nesta divisão entre machos e fêmeas, uma equipe de cientistas liderados por Jane Taylor, de Yale, elaborou um conjunto de experimentos com ratos mutantes. Por meio da manipulação genética, os pesquisadores conseguiram duas variações de ratos, além dos normais machos e fêmeas: um animal com gônadas masculinas, mas com cromossomos sexuais femininos; e outro com gônadas femininas e cromossomos sexuais masculinos. Isso permitiu medir separadamente o impacto dos hormônios e dos genes.

Nos experimentos, em cada um dos grupos, os ratos deveriam resolver sozinhos como chegar à comida. O que começou como um comportamento dirigido não demorou a se transformar em um hábito e, em poucos dias, todos os ratos sabiam seu objetivo corretamente, sem titubear. Os ratos com cromossomos XX (fêmeas normais e ratos com uma combinação de cromossomos femininos e gônadas masculinas) aprenderam mais rapidamente, sendo um primeiro indício de que os genes ajudam a explicar as diferenças entre sexos na formação de hábitos.

Ao final de um período de treinamento de nove dias, metade de cada grupo recebeu o que os pesquisadores chamam de "aversão condicionada ao sabor": três injeções diárias de cloreto de lítio imediatamente após cada refeição livre. "A droga faz com que os animais se sintam mal", afastando-os da comida associada a esse sentimento, explicou Quinn. Dois dias depois da última tentativa, os cientistas testaram os ratos para ver se iriam para o mesmo lugar onde encontraram comida no período de treinamento, apesar de, desta vez, não haver nada lá.

As duas variações de ratos XX com cromossomos femininos, que receberam a droga que provocava náuseas, foram direto para o lugar correto. Já os ratos XY tiveram um desempenho não tão bom. Isso mostrou não apenas que os ratos de cromossomos XX desenvolveram hábitos mais fortes, mas que esses hábitos eram independentes dos hormônios.

Para verificar suas descobertas, os cientistas repetiram seus experimentos, removendo as glândulas dos roedores. Quando a experiência foi repetida durante um período mais longo (15 dias), os ratos XY mostraram o mesmo nível de criação de hábito que os ratos XX, destacando assim o delicado equilíbrio entre o comportamento mecânico e as ações mais "pensadas".

"Acreditamos que os resultados podem ser aplicados aos vícios e à sua natureza compulsiva, mas ninguém fez testes sobre se existe essa diferença sexual independente dos hormônios no hábito do consumo de drogas", completou.

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