Ambiente

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Sábado, 20 de outubro de 2007, 13h41 Atualizada às 13h54

Agricultor adapta carro para usar óleo de cozinha

Para divulgar e reforçar a idéia da reciclagem em benefício do meio ambiente, um agricultor gaúcho percorreu cerca de 1,8 mil km de Montenegro, no Rio Grande do Sul, a Belo Horizonte, em Minas Gerais, com um caminhonete movida a óleo de cozinha.

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Paulo Roberto Lenhardt, 52 anos, veio divulgar a experiência na Ecolatina 2007, conferência latino-americana sobre meio ambiente e responsabilidade social que acontece na capital mineira.

"A viagem foi tranqüila, só tive que abrir o capô para conferir o nível de óleo e para os curiosos no meio da estrada", comentou Paulo. O carro é chamado de "pasteleira" porque solta no ar, por onde passa, o cheiro de pastel frito. "Assim o pessoal fica ainda mais curioso. Até polícia nos parou no caminho, mas não era para prender, era para aprender."

A "pasteleira" saiu do sul do País com dois tanques cheios, 475 l de óleo no total. Depois de Belo Horizonte o veículo ainda vai até Araçuaí, norte de Minas Gerais, a 678 km da capital, para depois retornar ao Rio Grande do Sul. A expectativa é que a caminhonete consuma mais 400 l de óleo.

"Temos que andar com dois tanques de armazenamento porque assim não ficamos sem óleo no caminho, não há postos vendendo óleo de cozinha como combustível nas estradas", brincou Luciano Sales, biólogo e agroecologista que acompanha o agricultor nas viagens. Segundo os viajantes, a pasteleira percorre 11 a 12 km com um litro.

O motor funciona com dois sistemas paralelos. O primeiro com óleo diesel, para dar o arranque, logo depois é girada a chave para o carro andar apenas com o óleo de cozinha. Segundo Lenhardt, as adaptações necessárias no veículo custaram em média R$ 3 mil e o desenvolvimento e a capacidade do motor não são alteradas.

Lenhardt e Sales são representantes da Rede Ecovida, conjunto de organizações de agroecologistas do sul do País. "O objetivo é desenvolver e divulgar métodos para o desenvolvimento de uma atividade agrícola sustentável", explicou Lenhardt. Segundo ele, a rede compreende 21 núcleos espalhados nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O agricultor trabalha no núcleo Vale do Caí, próximo a Porto Alegre, uma organização formada por 190 famílias. Lá, a experiência do óleo de cozinha como combustível já é tradicional: um caminhão, dois tratores e duas caminhonetes já são movidas a óleo.

"Primeiro fizemos uma campanha direcionada aos donos dos restaurantes da região. Queríamos conscientizá-los sobre os perigos que a destinação inadequada do óleo pode trazer ao meio ambiente. Hoje, quase todos os restaurantes da região estocam e nos entregam o óleo", explicou. Ao chegar no núcleo, o óleo passa por uma estação de limpeza, e depois de 20 dias já está pronto para ser utilizado. "Nosso estoque chega a quase 4,5 t por mês."

O objetivo da comunidade é montar um miniusina para a produção de óleo a partir do girassol e do amendoim. "Assim poderemos utilizá-lo em nossas casas, nos nossos veículos ou vendê-lo nas feiras", disse. Segundo ele, além de ser um combustível não poluente, o óleo de cozinha vegetal e não industrializado possui uma capacidade nutritiva bem maior do que os da produção industrial encontrados no mercado.

Lenhardt também disse que já sente a mobilização na preocupação do meio ambiente, a começar pela destinação correta do óleo. "Um dia um feirante de outro núcleo nos contou que possuía sozinho quase 700 l estocados em casa. Ele dizia aos clientes que compravam as frutas na feira que seu trator era movido a óleo e todo mundo levava aquele pouco que sobrava nas casas."

A idéia despertou o interesse dos estudiosos da área ambiental que participavam da Ecolatina, mas também das pessoas que passavam na rua e viam o carro. O caminhoneiro e taxista Omar Chaves, 70 anos, considera a idéia válida. "Esse óleo ia ser jogado nos rios, poluindo a nossa água. Agora se descobriu que podemos reaproveitá-lo, isso é ótimo."

Para o engenheiro agrícola, Geraldo Demeralino, o principal ponto do projeto é sua importância ambiental. "Ao invés de se utilizar o diesel, que é mais poluente e não renovável, utiliza-se o óleo vegetal que é o contrário disso tudo."  

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Ney Rubens/Especial para o Terra Paulo viajou do Rio Grande do Sul até Minas Gerais com sua Paulo viajou do Rio Grande do Sul até Minas Gerais com sua "pastelaria"

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