Excreção de mexilhões inspira material superadesivo

19 de outubro de 2007 • 11h36 • atualizado às 12h29

Cientistas americanos desenvolveram uma técnica simples, barata e eficaz para permitir a aderência de quase todos os materiais com um procedimento inspirado na substância excretada por mexilhões, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira.

A descoberta pode ter uma ampla aplicação na eletrônica, na marinha, na aeronáutica ou até na medicina já que permite, por exemplo, a aderência de lentes de contato e outras próteses, destacou Phillip Messersmith, engenheiro biomédico da Universidade Northwestern (Illinois, norte) e o principal autor deste estudo publicado na revista Science de 19 de outubro.

Os testes de laboratório mostraram que esta supercola funciona sobre 25 tipos de material diferentes, do teflon à celulose, passando pelo acrílico. Este feito é sem precedentes quando se trata de cola.

"As técnicas existentes que visam a modificar as superfícies a serem coladas são limitadas a materiais específicos, e o que funciona bem sobre vidros não tem bom resultado no ouro", explicou Messersmith.

"Nosso método é bem mais universal e que funciona bem em diferentes superfícies", continuou ele, ressaltando "não ter ainda encontrado um material sobre o qual esta cola não funciona".

Esta técnica foi desenvolvida com o estudo de muitos anos do processo que permite os mexilhões grudar sobre todos os materiais orgânicos e inorgânicos, explicou o pesquisador.

Esta pesquisa desenvolvida pela equipe de cientistas isolou a dopamina, uma pequena molécula que reproduz a estrutura molecular das proteínas, responsável por dar aos mexilhões esta capacidade adesiva excepcional.

Para criar tal capa adesiva, os pesquisadores dissolveram a dopamina na água contida em um recipiente, que foi mantido aberto.

Eles, em seguida, ajustaram a acidez da água (Ph) para que não fosse idêntica à da água. Submergiram ali, então, um objeto que, depois de muitas horas, estava recoberto de uma película fina de polidopamina adesiva.

Dentro desta solução salina, a dopamina sofre uma reação química resultando na formação desta película adesiva que pode ser combinada com outros adesivos, segundo a aplicação desejada, explicaram os pesquisadores.

Entre as aplicações potenciais, Phillip Messersmith citou a possibilidade de colocar uma película adesiva antibacteriana sobre instrumentos médicos antes de serem implantados nos corpos, evitando assim as infecções.

Os pequenos tubos metálicos inseridos nas artérias entupidas para que elas se mantenham abertas ou os cateteres são freqüentemente fonte de infecção.

Esta técnica pode também ser utilizada para recobrir os cascos dos navios, as plataformas petrolíferas e outras estruturas submarinas a fim de impedir que os microrganismos ou as algas que ali se desenvolvam, explicou Messersmith.

A película de polidopamina poderia também ser utilizada para retirar água de contaminantes metálicos, como o mercúrio, o chumbo e o cromo.

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