Piscina aumenta problemas respiratórios em crianças

14 de outubro de 2007 • 09h22 • atualizado em 15 de outubro de 2007 às 10h45

Lúcia Jardim
Direto de Paris

França


O que até então sempre fora uma das atividades físicas mais indicadas para crianças - a natação - pode ser também uma das causas do desenvolvimento de asma e outras doenças respiratórias na idade adulta. Nada contra o esporte, apontam os pesquisadores da Agência Francesa de Segurança Sanitária do Meio Ambiente e do Trabalho (Afsset, na sigla em francês), autores do estudo. O vilão dos pulmões é o cloro presente na água das piscinas por questões de higiene.

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Os cientistas descobriram que a exposição continuada ao cloro provoca lesões nos pulmões e acaba despertando o surgimento de bactérias no aparelho respiratório. As crianças, sobretudo as menores de sete anos, seriam as mais vulneráveis porque ainda não têm o sistema bem formado, o que facilita a corrosão do tecido pulmonar pelo produto.

"O cloro é altamente oxidante e destrói tudo que tem pela frente, seja uma bactéria, seja a sua pele", explicou ao Terra Alfred Bernard, coordenador da pesquisa.

A solução para o problema seria um maior controle da quantidade de produto colocado nas piscinas ou a adoção de métodos alternativos para a limpeza da água, como água oxigenada ou o cobre ionizado. A menor exposição das crianças ao cloro - o que pode significar a diminuição do tempo e da freqüência das aulas de natação - é indicada nos casos de piscinas públicas.

O pesquisador ressalta que o problema é ainda mais sério nas piscinas particulares. Além de os níveis de cloro na água não serem devidamente verificados pelos proprietários com a periodicidade necessária, as crianças tendem a permanecer muito mais tempo dentro das piscinas de casa ou de familiares, uma vez que estão lá por lazer.

"A grande mensagem que eu gostaria de deixar para os pais é: não botem cloro demais na piscina! A água mais azul da piscina de casa pode resultar em problemas sérios ao seu filho anos depois", disse Bernard.

O estudo foi feito com 847 crianças e constatou que as que tinham histórico familiar de problemas respiratórios e alergias têm até 10 vezes mais chances de desenvolver esse tipo de doença se expostas desde a infância ao cloro exagerado na piscina. Crianças sem a herança genética também se mostraram mais vulneráveis após anos de natação, embora em menor escala.

A motivação do estudo foi uma constatação curiosa: nos últimos 30 anos, o grupo de pesquisadores percebeu que a ocorrência de asmas e renites havia triplicado no interior Bélgica ¿ assim como a disseminação de piscinas na região neste mesmo período. O grupo decidiu, então, verificar se havia relação entre um evento e o outro. Não sem surpresa, detectou que os casos de asma aumentavam quase linearmente em relação ao tempo de exposição ao cloro.

"Todo mundo gosta de brincar na piscina e fazer natação, e eu também adoro. Ninguém precisa se privar de freqüentá-las, basta ter cautela e exigir um controle mais rigoroso dos níveis de cloro na água", ameniza Bernard.

Redação Terra
 
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