Além da formação, o projeto de célula também "cresce" ao incorporar mais partículas de ácido graxo das proximidades, e até se "divide", embora precise de estímulo dos pesquisadores, de acordo com o estudo publicado hoje na revista Science.
O experimento é mais favorável à argila, que já tinha demonstrado outra propriedade suspeitamente pró-vida e presente em várias partes do planeta. Ela é pode induzir a formação de cadeias de RNA, a molécula-irmã do DNA que também armazena instruções genéticas e, ao contrário dele, consegue induzir reações químicas sozinha. Para muitos cientistas, o RNA é o candidato ideal para primeiro material genético da história da vida.
O grupo se inspirou nessa capacidade conhecida da montmorillonita (o tipo de argila mais usado no experimento) para ver se ela conseguia induzir o mesmo processo com os ácidos graxos. As membranas celulares verdadeiras são formadas por moléculas similares mas mais compexas, os fosfolipídios, que incluem também átomos do elemento fósforo.
A tendência desses ácidos é se juntar em pequenos aglomerados. Os pesquisadores, no entanto, viram que a adição de um pouco de montmorillonita à mistura aumentou em cem vezes essa tendência. As vesículas de dupla camada que surgiram da reação englobavam as partículas de argila. Como tanto o mineral quanto as camadas de ácido têm carga elétrica negativa (e portanto deveriam se repelir), a hipótese dos pesquisadores é que uma camada de partículas positivas adjacente à argila atraia as vesículas.
Os pesquisadores misturaram ainda RNA, marcado com uma tinta fluorescente vermelha, à argila. Ele também foi englobado, dando mais um passo em direção a uma "célula", com membrana e material genético. Na presença de mais matéria-prima, as vesículas cresceram, absorvendo-a, e os pesquisadores causaram sua "divisão celular" (que ocorreu sem perda do material interno) fazendo-as atravessar uma rede de microporos.
O próximo passo no processo será fazer com que o RNA inicie uma síntese dentro das vesículas.
Redação Terra