Fóssil indica nova hipótese para evolução humana

21 de setembro de 2007 • 11h50 • atualizado às 17h17
O paleontólogo Frederick Kyalo Manthi, do Museu Nacional de Paleontologia do Quênia, mostra o crânio do  homo erectus  descoberto no país em 2000
O paleontólogo Frederick Kyalo Manthi, do Museu Nacional de Paleontologia do Quênia, mostra o crânio do homo erectus descoberto no país em 2000
21 de setembro de 2007
AFP

Mediam apenas um metro e meio de altura e não pesavam mais de 50 kg. Caminhavam com as palmas das mãos voltadas para fora, e não para dentro, como nós fazemos. E seu cérebro não deveria ter volume superior a 700 m³, apenas a metade do nosso. Eram assim os primeiros seres humanos saídos da África cerca de 1,8 milhões de anos atrás, de acordo com fósseis localizados na Geórgia e no Quênia que pertencem provavelmente a uma mesma espécie e que foram descritos em artigo publicado pela revista Nature.

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Os novos fósseis demonstram que aqueles primeiros seres humanos que saíram da África tinham traços anatômicos surpreendentemente arcaicos -como o cérebro pequeno e a articulação do cotovelo que girava para fora as palmas das mãos -, acompanhados por outros traços modernos, entre os quais as proporções entre os ossos dos braços e das pernas e a estrutura dos pés, que lhes permitia percorrer largas distâncias.

Mas os novos fósseis não esclarecem como surgiu o gênero humano a partir dos australopitecos, cerca de dois milhões de anos atrás. Pelo contrário: os traços primitivos da espécie localizada na Geórgia e no Quênia parecem contradizer a teoria de que os australopitecos se desenvolveram inicialmente na forma do Homo habilis e depois na do Homo erectus.

Os resultados que o artigo da Nature aponta indicam que o gênero humano se originou na África e começou a estender por outros continentes enquanto desenvolvia uma estrutura anatômica moderna na porção inferior de seu corpo, o que lhe permitia percorrer grandes distâncias. Mas, da cintura para cima, a criatura conservava ainda traços arcaicos, associados à facilidade de galgar árvores, que os seres humanos modernos perderam, e que indicam que aqueles humanóides talvez estivessem mais adaptados a uma vida nos bosques do que em savanas.

Os resultados foram obtidos de um estudo que envolve os restos de três adultos e um adolescente localizados na escavação do sítio de Dmanisi (Geórgia). De acordo com Jordi Agustí e Bienvenido Martínez, paleontólogos da Universidade Rovira i Virgili e co-autores do estudo, os fósseis são parte da espécie Homo georgicus. A contribuição da Universidade Rovira i Virgili à pesquisa foi o trabalho de datação do sítio com base nos espécimes de fauna encontrados ao lado dos restos humanos.

Outro conjunto de fósseis localizados no Quênia e apresentados no mês passado também em artigo publicado pela Nature, e aparentemente pertencentes à mesma espécie, demonstra que aqueles humanos tinham um cérebro de 700 cm³ cúbicos, não muito maior do que os 500 cm³ cúbicos dos australopitecos.

Tradução: Paulo Migliacci ME

La Vanguardia
 
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