Há 20 anos, também em Montreal, o mundo chegou a um consenso para eliminar a produção e uso dos clorofluorcarbonetos (CFC). Esses gases provocaram o enfraquecimento da camada de ozônio, abrindo buracos sobre os pólos norte e sul do planeta.
O Protocolo de Montreal, de 1987, aprovou a substituição dos CFC pelos HCFC (hidroclorofluorcarbetos). Eles são menos nocivos à camada de ozônio, mas também terão que desaparecer dos países desenvolvidos até 2030 e das nações em desenvolvimento até 2040.
Nações como a Argentina querem acelerar o calendário, para contribuir na luta contra a mudança climática. Recentes estudos indicam que a aceleração da eliminação dos HCFC poderia representar a redução de emissões equivalentes a um volume entre 18 e 25 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), considerado o principal culpado pelo aquecimento global.
O corte reduziria mais de 3,5% de todas as emissões atuais de gases que provocam o efeito estufa. O objetivo do Protocolo de Kyoto é diminuir em 5% as emissões nos países desenvolvidos até 2012.
A ministra de Meio Ambiente da Argentina, Romina Picolotti, declarou à Efe que se a cúpula de Montreal não chegar a um acordo para aprovar a aceleração da eliminação dos HCFC será "uma ótima oportunidade desperdiçada".
"Os cientistas disseram que a produção de gases HCFC, alguns deles com um efeito estufa 10 mil vezes maior que o CO2, tem aumentado nos últimos anos. A conseqüência é um agravamento na crise do clima, atrasando de 15 a 20 anos a recuperação da camada de ozônio", apontou.
O porta-voz do Programa Ambiental das Nações Unidas, Nick Nuttall, em declarações, concordou com a proposta argentina. "Se não chegarmos a um acordo será realmente uma grande oportunidade perdida", disse.
Nuttall lembrou que no fim de setembro o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reunirá em Nova York com mais de 50 chefes de Estado e Governo. Será uma reunião informal de alto nível sobre a mudança climática.
"Uma rápida vitória com este tratado demonstraria que há muito mais oportunidades de combater a mudança climática do que se pensava. Seria também um sinal de que os países podem deixar para trás suas diferenças e se concentrar em causas comuns", comentou Nuttall.
Picolotti e Nuttall se mostraram otimistas. Eles acreditam que a cúpula de Montreal, que vai até sexta-feira, terminará com um acordo.
"Não é 100% seguro atualmente, mas estamos otimistas. Na sexta-feira poderemos fechar um acordo para acelerar o fim dos gases HCFC, já que eles contribuem para a mudança climática. Não há ninguém, realmente ninguém, que não esteja de acordo", disse Nuttall.
Picolotti destacou que a proposta argentina para acelerar a substituição dos HCFC, apresentada na segunda-feira, foi "bem recebida". "O desejo da Argentina é chegar a um acordo sobre a necessidade de acelerar a eliminação", disse.
Por enquanto, o maior obstáculo é o financiamento. A Argentina calcula que o plano custará US$ 5,5 bilhões. Do ponto de vista técnico, a indústria já disse que pode substituir os gases HCFC por outros sem efeitos sobre o ozônio e o aquecimento global dentro de um ou dois anos.
"É preciso fazer um esforço adicional, de forma que a vontade política demonstrada seja acompanhada por recursos financeiros, para que não desapareça", explicou Picolotti.
"O debate é sobre o dinheiro necessário para acelerar o desaparecimento dos HCFC. Alguns países em desenvolvimento querem garantias de que haverá recursos disponíveis para substituir a tecnologia atual" explicou Nuttall.
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