Livro sugere como seria a Terra sem seres humanos

11 de setembro de 2007 • 10h51 • atualizado às 10h53

Marc Bassets

Estados Unidos


Alan Weisman, um jornalista científico americano, escreveu um livro no qual analisa como o mundo evoluiria caso o ser humano se extinguisse. Em dois dias, a água inundaria os metrôs e mais tarde todas as ruas asfaltadas rachariam. O autor propõe que as pessoas se limitem a um filho por casal, para evitar degradação planetária ainda maior.

Weisman, um jornalista especializado em assuntos científicos, decidiu imaginar um mundo sem seres humanos - um mundo no qual o Homo sapiens repentinamente se extinguisse. O que aconteceria, então? Para responder a essa pergunta, ele passou três anos viajando pelo planeta e conversando com cientistas e especialistas.

Caso o ser humano viesse a desaparecer, conclui Weisman, a natureza demoraria pouco a invadir as grandes cidades do planeta. Em dois dias, a água inundaria o sistema de metrô em Nova York, por exemplo. Com, o passar do tempo, o asfalto das ruas racharia. Em cinco anos, as cidades seriam varridas por incêndios.

Em 20, as principais avenidas se teriam convertido em rios. Em menos de 300 anos, cervos, ursos e lobos migrariam para a cidade. Os ratos que vivem de restos humanos e as baratas acostumadas à calefação dos edifícios desapareceriam. A selva de asfalto se tornaria uma selva real, e a natureza ganharia terreno.

"Tentei investigar o que restaria daquilo que criamos", explicou Weisman esta semana em palestra diante de uma audiência muito bem vestida em um auditório de Manhattan. O tema era The World Without Us, o livro em que ele descreve como seria o planeta sem os seres humanos, uma das obras mais vendidas e debatidas dos últimos meses nos Estados Unidos, país no qual, desde a estréia do documentário do antigo vice-presidente Al Gore sobre as alterações climáticas, proliferam os cenários de apocalipse ecológico. E o que restaria das obras humanas? De Nova York, muito pouco.

Dentro de alguns milhares de anos, quando o gelo recobrisse a cidade, restariam a Estátua da Liberdade e algumas estátuas de bronze. No resto do mundo, ficariam as cidades subterrâneas da Capadócia, o túnel sob o canal da Mancha, e os rostos dos presidentes dos Estados Unidos entalhados no monte Rushmore. Mas a Muralha da China ¿feita de materiais precários- e o canal do Panamá - "uma ferida que a natureza procura curar", segundo um funcionário dessa organização disse ao autor - certamente desapareceriam.

Weisman insiste quanto aos rastros envenenados do ser humano. O dióxido de carbono emitido em excesso na atmosfera demorará 100 mil anos a desaparecer. Os reatores nucleares das 441 usinas em operação no mundo se superaqueceriam e acabariam incendiados ou fundidos. A radiatividade duraria milênios.

"O que incomoda especialmente o autor é o plástico. No livro, Richard Thompson, biólogo da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, diz que "imagine se todas as atividades humanas se encerrassem amanhã, e não restasse ninguém para produzir plástico. Apenas com o volume desse material que já existe, e tendo em conta seu ritmo de fragmentação, seria algo com que os organismos teriam de lidar por prazo indefinido - milhares de anos, com certeza, ou ainda mais".

"É insano que nos dêem sacos plásticos de compras a cada vez que vamos a um supermercado", disse Weisman, com indignação, em sua palestra sobre o livro. Apesar de seu sucesso de vendas, The World Without Us recebeu críticas severas. "Agora que já decidiram que praticamente todos os aspectos da existência humana fazem mal ao meio ambiente - dirigir, comer carne, acender a luz, ter filhos, respirar -, os ecologistas levaram o argumento ao limite: o problema é que os seres humanos existam", afirmou o Wall Street Journal em editorial.

Weisman, no entanto, insinua que a natureza sentiria nossa falta, caso nos extinguíssemos. "Não competimos com o planeta", afirma. "Somos parte dele". Para que o planeta não se degrade ainda mais, ele sugere que as famílias se limitem a uma criança por casal. E tampouco endossa as causas de diversas organizações curiosas, como o Movimento pela Extinção Voluntária da Humanidade, conhecido em inglês como VHEMT.

Depois de constatar que um vírus dificilmente poria fim a todas as pessoas, e que é improvável que uma guerra o fizesse, além de alegar que "matar é imoral", a VHEMT decidiu que o único caminho para realizar sua meta seria a abstenção voluntária de reprodução. "Os últimos seres humanos", afirma Les Knight, fundador do grupo, "poderiam desfrutar de seus últimos raios de sol placidamente, com a consciência de que devolveram o planeta à condição mais parecida possível com a do Jardim do Éden".

Tradução: Paulo Migliacci ME

La Vanguardia
 
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