EUA: vírus é suspeito de causar mortes de abelhas

10 de setembro de 2007 • 12h34 • atualizado às 12h34

Gaëlle Dupont

Estados Unidos


Surgiu um novo suspeito na longa lista de causas invocadas para explicar a mortalidade nas colônias de abelhas, observada em numerosos países. A hipótese de que um vírus seja responsável foi reforçada por um estudo genético conduzido pela equipe da professora Diana Cox-Foster, do departamento de entomologia da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, publicado pela revista Science em 6 de setembro.

Já há alguns anos, as desaparições de abelhas vêm atingindo cerca de 90% das colônias em determinados locais, de acordo com reportagem do Le Monde em 30 de agosto. Muitos especialistas propõem que a causa desse declínio no número de espécimes seja uma combinação entre patógenos e causas ambientais.

Nos Estados Unidos, o fenômeno recebeu o nome de distúrbio de colapso de colônias, ou CCD, e resultou em queda de 25% no número de abelhas do país, no final de 2006 e começo de 2007. A equipe de pesquisadores norte-americanos seqüenciou porções de material genético obtidos em colônias atingidas pelo CCD e as comparou a material obtido em colônias sãs.

Foi encontrada uma forte correlação entre a incidência de CCD e um vírus conhecido como IAPV, proveniente de Israel e causador de paralisia severa em insetos, identificado pelos israelenses em 2004. O IAPV foi detectado pelos pesquisadores em 83,3% das colméias afetadas pelo CCD, e em apenas 4,8% das colônias sãs. "Isso não significa que seja ele a causa da mortalidade", disse Cox-Foster.

Ela vai tentar inocular colônias sãs com o IAPV, para ver se os surtos de CCD se reproduzem. A equipe norte-americana refuta a tese defendida pelo pesquisador espanhol Mariano Higes (do Centro Regional de Apicultura de Castela), que atribui a culpa ao cogumelo Nosema ceranae. Traços desse último foram localizados em 100% das colônias atingidos pelo CCD, mas também em 80% das colônias sãs.

Toda a dificuldade deriva do fato de que cada colônia de abelhas abriga uma multidão de parasitas - bactérias, cogumelos, vírus presentes em estado latente -, e eles estão presentes nas análises de abelhas mortas sem que se provar que papel, se algum, eles exerceram no episódio.

Para Laurent Gauthier, do Laboratório de Vigilância Patológica e Desenvolvimento da Apicultura Supagro, em Montpellier, o IPAV é só "mais um candidato entre outros", como explicação para a mortandade entre as abelhas. Mas "os vírus podem também ser conseqüência, e não causa", do enfraquecimento das colônias, ele pondera. "A questão é determinar se existem fatores de desequilíbrio que favoreçam a proliferação de tais patógenos", disse.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

Le Monde
 
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