Adesivo contra enjôo pode tratar transtorno bipolar

03 de setembro de 2007 • 10h15 • atualizado às 11h05
Adesivos contra enjôos podem ser a nova arma contra o transtorno bipolar Foto: AP
Adesivos contra enjôos podem ser a nova arma contra o transtorno bipolar
03 de setembro de 2007
Foto: AP

Cientistas americanos estão testando adesivos contra enjôos e outras opções pouco comuns na tentativa de encontrar novas formas para o tratamento do transtorno bipolar, doença tão complexa que os pesquisadores não desenvolvem medicações específicas desde o lítio, lançado a mais de meio século atrás.

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Segundo um estudo publicado recentemente, o transtorno bipolar aparece em pelo menos um a cada 25 americanos adultos durante algum período da vida. "A medicina atual ajuda, reduz os sintomas, mas não faz um trabalho eficiente", afirma o médico Husseini Manji, do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, na sigla em inglês), dos Estados Unidos.

O transtorno bipolar é caracterizado por momentos que vão da euforia ao desânimo completo, em períodos que podem durar uma semana ou mais. Os médicos geralmente utilizam no tratamento uma variedade de drogas que incluem lítio, anticonvulsivantes e antipsicóticos. Terapia psiquiátrica pode ajudar a potencializar o efeito dessas drogas.

Às vezes o tratamento pode ser difícil. Segundo o psiquiatra e professor da Universidade de Pittsburgh, Andrea Fagiolini, isso acontece porque os momentos de depressão são mais pesados do que os casos de depressão não-bipolar. Além disso, os pacientes são mais resistentes à medicação em função dos efeitos colaterais e por achar que não precisam mais dos remédios durante os períodos de euforia.

Simplicidade

No entanto, testes recentes vêm mostrando que talvez a aposta para o tratamento esteja na simplicidade. É o que estão tentando provar os pesquisadores do NIMH Maura Furey e Wayne Drevets. Os dois estão liderando testes com a escopolamina, normalmente indicada para pessoas que têm enjôo ao andar de carro ou de barco.

Há anos eles estudam como essa droga pode ajudar a memória e a atenção de pessoas com depressão. Nos testes, eles deram a escopolamina de forma intravenosa aos seus pacientes. Para surpresa dos pesquisadores, os pacientes se sentiam menos depressivos na noite posterior às injeções, quando a maioria dos antidepressivos leva mais tempo para fazer efeito.

"Alguns pacientes disseram que tiveram a melhor noite de sono em anos, e na manhã seguinte acordaram se sentindo consideravelmente menos depressivos", disse Drevets. Agora, Maura está liderando um estudo para o uso de adesivos de escopolamina para tratar a depressão do transtorno bipolar.

Outras possibilidades

A mesma simplicidade é aposta de um método descoberto por acaso no Hospital McLean, em Massachusetts, em 2001. Os pacientes com transtorno bipolar que eram submetidos a um scanner cerebral se sentiam rapidamente muito melhores.

A experiência resultou em um estudo, que, apesar de inconclusivo, abriu novos horizontes sobre o uso de campos elétricos como uma forma de diminuir os sintomas da depressão.

Outro possível tratamento foi descoberto em uma droga chamada riluzole, normalmente utilizada em pessoas com a doença de Lou Gehrig, um tipo de esclerose. Segundo os pesquisadores, essa droga libera o mesmo tipo de proteína nas células cerebrais que as drogas contra o transtorno bipolar. Ao ser testada em pacientes bipolares, a riluzole fez com que os sintomas da doença praticamente desaparecessem.

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