Projeto espanhol vai estudar origem da matéria

23 de agosto de 2007 • 17h57 • atualizado às 19h00

A Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha) inaugurou hoje a primeira fase de um projeto que estuda as origens da matéria com ajuda do maior acelerador de partículas do mundo, para reproduzir as condições que originaram o "Big Bang".

A teoria do "Big Bang" - estabelecida em 1964 por Arno Penzias e Robert Wilson, que ganharam com ela o Nobel de Física em 1978 - diz que o cosmos foi criado a partir de uma grande explosão há cerca de 15 bilhões de anos, a partir da qual a matéria se espalhou uniformemente pelo universo.

O acelerador de partículas Large Hadron Collider (LHC), que dá nome ao projeto do qual participam vários países da Europa, começará a funcionar em abril de 2008. Mas o sistema começa a ser testado agora e Barcelona pelo centro tecnológico Puerto de Información Científica (PIC), instalado na UAB.

O PIC, juntamente com outros centros de computação de todo o mundo, começa seus trabalhos recebendo dados de raios cósmicos captados por um dos quatro detectores utilizados no projeto.

Isso servirá de treino para o trabalho que o centro deverá realizar a partir da próxima primavera, disse à Efe Xavier Espinal, um dos especialistas envolvidos na pesquisa.

O acelerador, localizado no Laboratório Europeu para Física de Partículas (CERN), tentará reproduzir condições de densidade de energia muito grandes, semelhantes àquelas existentes nos primeiros instantes de existência do universo, no momento do "Big Bang".

Estudar a origem da matéria pondo à prova a teoria vigente que explica o comportamento das partículas elementares é o principal objetivo desta grande empreitada científica, lembrou Espinal.

O especialista ressaltou que o acelerador de partículas é a primeira oportunidade do homem, graças ao desenvolvimento da tecnologia, para "comprovar a validade da teoria".

A aceleração e a colisão de partículas em condições de alta energia geram uma quantidade enorme de informação que é captada por quatro aparelhos, que enviam a informação a uma série de centros de computação espalhados pela Europa, Ásia e América, e que, por sua vez, armazenam e processam os dados.

Os diretores do projeto esperam que de hoje e até 3 de setembro seja possível armazenar 10 milhões de colisões de partículas, informação que será utilizada para pôr a toda prova os sistemas de detecção, aquisição e distribuição dos dados.

Uma vez analisados, os dados serão utilizados para refinar os parâmetros de calibragem do detector antes de começar a trabalhar em 2008.

O acelerador de partículas está situado em um túnel subterrâneo de 27 quilômetros de comprimento e a uma profundidade de entre 50 e 175 metros na fronteira entre a França e a Suíça.

Pelo interior do túnel viajam feixes de prótons acelerados a velocidades próximas às da luz e colidem.

Segundo Espinal, o acelerador deverá começar a funcionar à velocidade mais alta a partir de abril, quando serão analisados os primeiros dados nos vários centros de computação e começarão a ser reveladas as principais incógnitas sobre a origem da matéria.

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