Estudo mostra importância de astrócitos no cérebro

23 de agosto de 2007 • 12h00 • atualizado às 12h13

Uma pesquisa feita na Espanha mostrou a importância dos astrócitos na transmissão e no armazenamento de informação no sistema nervoso, o que desmente a teoria que persistia até então de que sua função era puramente passiva, sem influência no funcionamento do cérebro.

A partir de agora, todas as pesquisas sobre o funcionamento do cérebro e suas anomalias devem levar em consideração o papel decisivo desempenhado pelos astrócitos, células praticamente ignoradas até agora, afirmou o biólogo e diretor do estudo, Alfonso Araque.

O trabalho foi desenvolvido integralmente no Instituto Cajal, do Centro Superior de Pesquisas Científicas, e foi publicado no último número da revista Science.

Pelas conclusões deste trabalho, "os astrócitos do hipocampo, região cerebral envolvida em processos de memória e aprendizagem, podem liberar um mensageiro químico, o glutamato, que aumenta transitoriamente (décimos de segundo) a eficácia da transmissão nervosa entre os neurônios".

Os resultados são uma "descoberta bastante revolucionária", já que colocam o papel dos astrócitos, em relação ao funcionamento cerebral, em níveis semelhantes aos dos neurônios.

Estas últimas células são responsáveis por transmitir a informação, enquanto os astrócitos regulam esta transmissão, segundo Araque. O estudo teve a colaboração da bióloga Gertrudis Perea, também do Instituto Cajal.

"O que existe é uma rede neuro-astrocitária, que é o que permite o crescimento do cérebro, como indica o estudo", acrescentou. Os cientistas usaram ratos no experimento e "sofisticadas" técnicas de eletrofisiologia e biologia celular.

Os mecanismos celulares e moleculares do rato e do homem são muito parecidos, e, por isso, "é muito provável" que a descoberta ocorra também no cérebro humano, acrescentou Araque.

A dificuldade das pesquisas sobre o papel dos astrócitos na fisiologia sináptica residia na falta de métodos que estimulassem seletivamente os astrócitos, pois os estímulos que afetavam estes também poderiam agir diretamente sobre os neurônios, levando a resultados errôneos.

"Este trabalho demonstra que os astrócitos, um tipo de célula sobre a qual durante mais de um século se pensou que só desempenhava uma função passiva de suporte neuronial, estão diretamente envolvidos na transmissão e armazenamento de informação no sistema nervoso", afirmou o pesquisador.

O cientista lembrou que o cérebro, um conjunto organizado de estruturas que recebe, processa, elabora, transmite e armazena informação, é formado por dois grandes tipos de células, os neurônios e as células da glia, termo que tem origem no grego e significa cola.

"Inicialmente, pensava-se que estas células eram a cola do cérebro para que os neurônios permanecessem no lugar", disse Araque, que acrescentou que dentro deste grupo também estão os astrócitos.

Os astrócitos, muito abundantes no cérebro, foram descobertos em 1846, assim como os neurônios, e, desde o início, foram reconhecidos como os elementos responsáveis do funcionamento cerebral na elaboração e transmissão de informação.

Esta transmissão entre neurônios ocorre em lugares especializados denominados sinapses, onde são liberados mensageiros químicos, chamados neurotransmissores, que causam estímulo em receptores específicos.

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