Máquina desvenda personalidade em segundos

19 de agosto de 2007 • 09h29 • atualizado às 12h18
O QPM é medido através de eletrodos, fixados na parte frontal da cabeça, enquanto pés e mãos permanecem sobre duas placas de aço
O QPM é medido através de eletrodos, fixados na parte frontal da cabeça, enquanto pés e mãos permanecem sobre duas placas de aço
19 de agosto de 2007
Divulgação

Lúcia Jardim
Direto de Paris

França


Um aparelho que promete desvendar a personalidade de qualquer pessoa depois de apenas 30 s de contato físico de seis partes do corpo com a máquina está ganhando os consultórios de psicólogos, psiquiatras e até treinadores esportivos na Europa. Seus idealizadores - um médico, um engenheiro, um físico e um consultor de marketing - advertem que o invento é para uso dos profissionais de comportamento e saúde e deve ser utilizado como apoio a um tratamento já em andamento.

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O QPM (Quantic Potential Measurement, ou Medição do Potencial Quântico) é medido através de um exame realizado da seguinte maneira: dois eletrodos são fixados na parte frontal da cabeça, enquanto os pés e as mãos permanecem imóveis sobre duas placas de aço, todos conectados a um computador. Durante meio minuto, uma corrente elétrica de baixa intensidade (1,28 V) passa pelo corpo do paciente e mapeia 540 pontos, dos quais são extraídos os resultados.

No computador, o profissional - seja psicólogo, psiquiatra ou gerente de equipe, por exemplo - interpreta cada um dos 135 dados obtidos, que vão desde as potencialidades do paciente até onde ele apresenta mais fraquezas e pontos a serem melhor trabalhados durante o tratamento. Somente profissionais da área podem adquirir o produto, e devem passar por um curso de três dias para estarem aptos a utilizá-lo no consultório. Na França, cerca de 400 já o adquiriram.

"Trata-se de um apoio ao trabalho do psicólogo, e não uma substituição dele. Quando você sobe na balança, ela lhe dá dados sobre o seu peso e massa gorda e magra. Mas a balança não lhe dá um regime: quem lhe receitará uma dieta é o nutricionista. Com a QPM é a mesma coisa", explica o líder da equipe, Patrick Visier, que recrimina o apelido de "oráculo" dado ao invento por alguns veículos de comunicação franceses.

"O aparelho converte as medidas eletromagnéticas enviadas pelo corpo em dados exploráveis, e trabalha sobre informações concretas, e não esotéricas. Por isso não é nossa função fornecer um diagnóstico sobre o que paciente deve fazer ou não: este é o papel do psicólogo e do psiquiatra."

No computador, através de um programa específico, os dados aparecem organizados por tópicos, como marcas de comportamento, maturidade emocional, inteligência emocional, potencialidades, etc. Cada um dos tópicos é então desmembrado em diversos itens, a fim de se obter um resultado que englobe todos os pontos que formam a personalidade humana. A medida é de zero a cinco para cada um dos pontos, sendo que quanto mais próximo do zero, mais atenção deve ser dada àquele aspecto.

O aparelho, conforme Visier, permite também avaliar se a terapia está indo para o caminho certo. O profissional pode reaplicar o teste e conferir se os objetivos foram alcançados.

A psicóloga cearense Raquel Barreira, que mora em Paris, é cética quanto a esse tipo de aporte a um trabalho no qual a comunicação e o diálogo são a base para os resultados. "Todo o trabalho do psicólogo é conhecer de pouco a pouco a personalidade do paciente para identificar onde ele precisa melhorar. Mesmo os testes levam em consideração a maneira como o paciente o realiza, se fica nervoso, se responde rápido, se é inseguro. Acho muito difícil que uma máquina possa fazer isso com algum grau de confiabilidade", afirmou Raquel.

"É todo um conjunto de fatores que nos faz chegar a um diagnóstico. Como uma máquina poderia medir o quanto a pessoa é ética, por exemplo? Essa é uma avaliação completamente subjetiva, ligada às relações e às leis sociais." Diante das críticas, os criadores alegam que os franceses são avessos a todo o tipo de mudanças, e por isso têm medo de tudo o que é novo.

"Falta se darem conta de que é o mundo que está mudando. Se podemos fazer uso da tecnologia para facilitar a nossa vida, por que resistir? O francês, infelizmente, é o povo mais conservador do mundo!", disse Visier, garantindo já ter recebido contato de representantes de um "grande time de futebol" brasileiro, embora no momento da entrevista não soubesse precisar qual foi a equipe.

O mercado francês, de fato, não é o mais atrativo para o QPM. É para os países vizinhos, como a Bélgica e a Suíça, e nos países em desenvolvimento, como a Índia e a China, que o produto está sendo mais exportado, por enquanto. O Brasil, afirmou Visier, já está na mira. "O brasileiro é muito aberto às novas tecnologias, e mais: quer se tornar logo, logo um país desenvolvido. Tenho certeza de que lá as pessoas receberiam bem uma inovação como esta."

Redação Terra
 
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