Fósseis: fêmeas do homo erectus eram menores

09 de agosto de 2007 • 12h50 • atualizado às 13h01

O "Homo erectus", considerado há muito tempo um elo evolucionário crucial entre o homem moderno e os três ancestrais dele que ainda moravam em árvores, pode ser mais parecido com os macacos do que se pensava, disseram na quinta-feira cientistas que revelaram a descoberta de novos fósseis.

Apresentando um crânio antigo e um osso de mandíbula pertencentes a dois ramos primitivos da família hominídea, o "Homo erectus" e o "Homo habilis", uma equipe de cientistas do Quênia afirmou ter ficado surpresa com a descoberta de que as fêmeas dos antigos hominídeos eram bastante menores do que os machos.

Esse crânio é o primeiro encontrado de uma fêmea do "Homo erectus".

E sugere que os ancestrais diretos da humanidade podem ter sido psicologicamente mais parecidos do que se supunha com os gorilas e chimpanzés, os quais também apresentam grandes diferenças de tamanho entre os machos e as fêmeas.

"Antes da descoberta dos novos espécimes, os cientistas não sabiam que os machos do ''Homo erectus'' eram tão maiores do que as fêmeas", afirmou Emma Mbua, membro da equipe de pesquisadores.

"Considera-se esse dimorfismo sexual um caráter primitivo porque ocorre em outros macacos de grande porte", afirmou, em pé na frente dos ossos depositados no Museu Nacional do Quênia.

Segundo Mbua, essa característica poderia significar que o comportamento sexual do "Homo erectus" parecia-se mais com o dos macacos, cujos indivíduos, especialmente os machos, copulam com vários parceiros, algumas vezes dentro de um período de poucas horas. Os hominídeos subsequentes mostravam-se mais monogâmicos.

Os fósseis, descobertos no leste do vale Rift (África), região considerada o "berço da humanidade", questiona a tese de que os protótipos dos seres humanos evoluíram um depois do outro, de forma linear, indo do "Homo habilis" até o "Homo erectus" e terminando no homem moderno.

A descoberta recente, ocorrida em 2000, mostra que o "Homo erectus" e o "Homo habilis" devem ter coexistido, explorando hábitats diferentes durante um mesmo período, acrescentaram os cientistas.

"Seria possível dizer que eles eram mais ou menos como irmãs", afirmou Frederick Manthi, o cientista que encontrou os fósseis. "O 'Homo habilis' não deu origem ao 'Homo erectus'. Essa descoberta conta uma história totalmente diferente."

A pesquisa, publicada na revista Nature, contou com a participação de nove cientistas.

Os pesquisadores acreditam que tanto o "Homo erectus" como o "Homo habilis" devem ter evoluído de um ancestral comum, cerca de 2 milhões a 3 milhões de anos atrás.

No entanto, a linha evolucionária básica - segundo a qual todos os seres humanos vieram "da África" após terem evoluído dos macacos, no vale Rift, cerca de 5 milhões de anos atrás - continua inalterada e pode mesmo ter ganhado mais força, disseram os cientistas.

"Quanto mais fósseis encontramos no Quênia, mais se justifica a tese de que o leste da África é o berço da humanidade", disse Manthi.

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